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	<title>DoSol &#187; marcos bragatto</title>
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		<title>RESENHA DE DVD: DAVID GILMOUR &#8211; LIVE IN GDANSK</title>
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		<pubDate>Thu, 29 Jan 2009 09:30:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcos Bragatto</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
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Por Marcos Bragatto
Os mais novos talvez não saibam que o fim do regime socialista no Leste Europeu começou num porto de uma cidade polonesa chamada Gdanski, onde um sindicato liderado por um eletricista de nome Lech Walesa liderou as ações trabalhistas até chegar à presidência da República. Qualquer semelhança com o Lula e o ABC [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left;"><img src="http://www.gardenal.org/rockemgeral/davidgilmourgdansk.jpg" alt="davidgilmourgdansk.jpg" /><strong><br />
</strong></div>
<p><strong>Por Marcos Bragatto</strong></p>
<p>Os mais novos talvez não saibam que o fim do regime socialista no Leste Europeu começou num porto de uma cidade polonesa chamada Gdanski, onde um sindicato liderado por um eletricista de nome Lech Walesa liderou as ações trabalhistas até chegar à presidência da República. Qualquer semelhança com o Lula e o ABC Paulista não é mera coincidência. Nos anos oitenta, o logotipo do Sindicato Solidariedade (Solidarnosc, em polonês) virou até motivo de consumo pop classemediano. Pois foi justamente no tal porto que o eterno ex-Pink Floyd David Gilmour se apresentou, em 2006, no vigésimo sexto aniversário do sindicato, e gravou esse DVD/CD duplo ao vivo, junto com a Orquestra Sinfônica Filarmônica do Báltico.</p>
<p>No Brasil o material aparece nas prateleiras em dois formatos: um só com o CD duplo e outro com o DVD como terceiro disquinho – lá fora CD e DVD são idênticos, e ainda há uma caixa com um terceiro CD, com músicas em versões de outras apresentações durante a mesma turnê. Assim, por aqui periga a opção só de áudio ser a mais interessante. Não que o vídeo não valha a pena – muito ao contrário -, mas o repertório do CD é sete músicas maior, sendo que, entre elas, seis são clássicos do Pink Floyd que jamais poderiam ter ficado de fora do vídeo, prejudicando a íntegra e a seqüência do espetáculo, já que não se sabe, a julgar pelas imagens, que música vem antes da outra. Ademais, onde já se viu um DVD durar menos que um CD?<span id="more-6117"></span></p>
<p>O ano de 2006 marcou o lançamento do álbum “On A Island”, de Gilmour, que é executado na íntegra no início do vídeo, já que “Speak to Me”, “Breath”, a exuberante “Time” e “Breath (Reprise)”, foram limadas. Como o repertório é bem lento o espetáculo torna-se muito mais contemplativo, com a orquestra, do que agitado, como num show do rock. Além do palco enorme, com seis telões gigantescos sobre ele, que exibem imagens individualizadas dos integrantes, realça o fantástico jeito de tocar guitarra de Gilmour, que usa e abusa, às vezes com a ajuda de Phil Manzanera (aquele mesmo do Roxy Music) da guitarra steel, instrumentos cujas cordas ficam presas em uma mesa e são tocadas com um dedal de metal. É assim nas ótimas “Then I Close My Eyes”, quase atrapalhada por um saxofone, “Smile”, e em “High Hopes”, da fase do Pink Floyd sem Roger Waters.</p>
<p>Inevitável, então, a comparação entre as apresentações solo dos dois que um dia lideraram o Pink Floyd. Gilmour não tem a inquietude política de Waters – embora “A Great Day Of Freedom”, inspirada nos conflitos da Europa Oriental, tenha virado música-símbolo da apresentação -, mas é o guitarrista, e isso lhe confere maior autoridade ao tocar as músicas do PF, sobretudo com a presença do tecladista Richard Wright, num de seus últimos registros em vídeo, já que faleceu esse ano. Wright canta na brilhante “Comfortably Numb” e é peça indispensável nos 25 minutos de duração de “Echoes”, garantindo &#8211; de longe – o melhor momento do vídeo. Waters, de seu lado, parece cantar com mais autoridade as paranóias que escreveu. Diferenças que reforçam a necessidade de juntar os dois, assunto, aliás, evitado por Gilmour numa coletiva que aparece no “Gdansk Documentary”, onde o guitarrista e a mulher são recebidos por Walesa.</p>
<p>Se a abertura política propiciou, entre outras liberdades, a de ter um espetáculo desses na Polônia, coisa rara nos tempos da Cortina de Ferro, de outro lado os sindicalistas temem perder o local onde funciona o porto (e onde aconteceu o show) para a especulação imobiliária. Prova irrefutável de que, se o socialismo não deu certo, tampouco o capitalismo é bem sucedido.</p>
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		<title>COMO FOI? HUMAITÁ PRA PEIXE (RJ) &#8211; QUINTA DIA</title>
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		<pubDate>Tue, 20 Jan 2009 09:40:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcos Bragatto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Coberturas]]></category>
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Foto: Victor Araújo no HHP2009 por Tomás Rangel
Por Marcos Bragatto, Rio de Janeiro

Vitor Araújo transforma Humaitá Pra Peixe em recital erudito
Tecladista prodígio brilhou em espetáculo contemplativo; Paraphernalia trouxe muitas referências pra pouca música boa. 
A primeira noite da segunda semana do Festival Humaitá Pra Peixe foi marcada por opostos. De um lado a big band [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-medium wp-image-5978" title="victor-araujo" src="http://www.dosol.com.br/wp-content/uploads/victor-araujo-448x298.jpg" alt="victor-araujo" width="448" height="298" /><br />
<em>Foto: Victor Araújo no HHP2009 por Tomás Rangel</em></p>
<p><strong>Por Marcos Bragatto, Rio de Janeiro<br />
</strong></p>
<p><strong>Vitor Araújo transforma Humaitá Pra Peixe em recital erudito</strong><br />
<em>Tecladista prodígio brilhou em espetáculo contemplativo; Paraphernalia trouxe muitas referências pra pouca música boa. </em></p>
<p>A primeira noite da segunda semana do Festival Humaitá Pra Peixe foi marcada por opostos. De um lado a big band Paraphernalia, e de outro o pianista prodígio Vitor Araújo, que encontrou na Sala Baden Powell, que outrora já foi um cinema, a acústica ideal para uma apresentação digna de um recital erudito. E não era pra menos. Onde já se viu, num festival de música pop, um pianista falando de Beethoven, Bach e Chopin? Falando, sim, já que o rapaz é bom de conversa e intercala momentos de virtuose com tiradas típicas de comédias “stand up”.</p>
<p>Boa a história de que ele, ao “dobrar” o andamento de uma música de Chico Buarque, descobre que se trata da mesma canção composta por Ray Charles. Ou outra segundo a qual ele pagou mico ao perguntar a um maestro europeu se ele conhecia Radiohead. Tudo isso, claro, mostrando seus argumentos com as teclas. Vitor interpreta músicas de compositores eruditos e pop, aproximando o impossível. Um garoto com visual indie, tênis All Star, mas com a cabeça recheada de partituras e, ao que parece, boas idéias. Uma delas é colocar, na mesma apresentação, ícones do rock, da mpb, da música erudita e do forró, numa versão estendida de “Asa Branca”. Só no bis se permitiu levar uma composição própria. Com tão pouco, fez muito.<span id="more-5977"></span></p>
<p>Com o Paraphernalia, que tocou antes, aconteceu justamente o contrário. Uma big band com muitas referências e, no fim das contas, pouca música realmente boa. E olha que os integrantes tentaram soltar piadinhas para temperar a noite totalmente instrumental, mas sem sucesso. Na verdade o coletivo chama mais a atenção por ter integrantes coadjuvantes de artistas de renome da mpb do que pelo trabalho que tem desenvolvido. Prova disso é que o baixista Alberto Continentino, co-autor de boa parte das músicas, não teve brecha na agenda e mandou um substituto.</p>
<p>O grupo faz um som de big band, Vitória Régia com Chick Corea e Carlos Santana, incluindo funk e soul dos anos 70, e teve bons momentos. Em “Fúria do Dragão”, sobressai um som black da pesada, coadjuvado pelo naipe de metais; “Palhaço Birico” mistura jazz com ritmos latinos com ênfase na guitarra à Santana de Bernardo Bosisio; e a lentinha “Salvem as Baleias” bem que poderia ter sido gravada pelo Azimuth há trinta e poucos anos. Os melhores momentos foram garantidos pelo guitarrista e pelo teclado de Donatinho, quando ambos conseguiam driblar os enfadonhos metais. Muito pouco para uma turma tão bem apadrinhada.</p>
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		<title>COMO FOI? HUMAITÁ PRA PEIXE (RJ) &#8211; QUARTO DIA</title>
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		<pubDate>Thu, 15 Jan 2009 09:17:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcos Bragatto</dc:creator>
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Foto: Daniel Lopes no HPP 2009 por Marcos Dantas
Por Marcos Bragatto, Rio de Janeiro
Daniel Lopes aponta para o pop brasileiro no Humaitá Pra Peixe
Rock retrô do Fuzzcas também brilhou na noite em que o festival voltou pra casa.
Da proposta equivocada do Reverse sobrou o que o grupo tinha de melhor: o cantor e compositor Daniel [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-medium wp-image-5900" title="daniel-lopes" src="http://www.dosol.com.br/wp-content/uploads/daniel-lopes-448x298.jpg" alt="daniel-lopes" width="448" height="298" /><br />
<em>Foto: Daniel Lopes no HPP 2009 por Marcos Dantas</em></p>
<p><strong>Por Marcos Bragatto, Rio de Janeiro</strong></p>
<p><strong>Daniel Lopes aponta para o pop brasileiro no Humaitá Pra Peixe</strong><br />
<em>Rock retrô do Fuzzcas também brilhou na noite em que o festival voltou pra casa.</em></p>
<p>Da proposta equivocada do Reverse sobrou o que o grupo tinha de melhor: o cantor e compositor Daniel Lopes. Não apenas vocalista, mas, sobretudo cantor, porque interpreta muito bem músicas não óbvias de outros artistas, além das suas. Foi ele quem se destacou ontem, quando o Humaitá Pra Peixe voltou ao dia da semana e ao local de origem, no reformado Espaço Cultural Sérgio Porto. Antes dele, descido do túnel do tempo de Irwin Allen, o Fuzzcas também foi muito bem.</p>
<p>O show de Daniel se divide em dois. No início e no final ele conta com uma banda que contém contrabaixo acústico, percussão, bateria e guitarra. Na meiuca do repertório, faz três músicas sozinho, com violão e a ajuda de um pedal acoplado a um i-pod. Batendo com a mão no corpo da viola e imitando sons com a boca, ele vai gravando e reproduzindo tudo simultaneamente, fazendo bases e cantando por cima. O resultado é uma performance inesperada que agradou geral ao público, sobretudo no cover – espécie de homenagem ao produtor Quincy Jones – de “Thriller”, aquela mesmo do Michael Jackson.</p>
<p>Daniel Lopes cantou várias das músicas que estão em seu disco de estréia como artista solo, “Mais e Mais Refrões”, mas sua veia de cantor/intérprete falou mais alto. Foi assim na excelente versão de “A Nível de&#8230;”, crônica do cotidiano de Aldir Blanc pinçada do repertório tardio de João Bosco; ou ainda em “Laiá Laiá”, assinada por ele, mais que parece ter saído do rol do samba de raiz dos anos 70, onde se salienta uma afro-referência outrora negada, mas hoje admitida pelo cantor em outro momento da apresentação. Daniel parece mesmo livre das amarras típicas de artistas inseguros, e canta com incomum empolgação em “Homem Elefante”, por exemplo.</p>
<p>A diferença entre um show de Daniel Lopes para as músicas disponíveis na web é muito grande. Bom por um lado, por mostrar carisma e peso nas apresentações, mas ruim de outro: o cantor precisa de um produtor que lhe garanta, em disco, o peso que ecoa dos palcos. No fim, Daniel recebeu de presente um bis (fato raro no HPP) tão inesperado que não tinha um plano B. A saída foi repetir a boa “Homem Verde”, e o público nem esquentou a cabeça.</p>
<p><img class="alignnone size-medium wp-image-5901" title="fuzzcas" src="http://www.dosol.com.br/wp-content/uploads/fuzzcas-448x298.jpg" alt="fuzzcas" width="448" height="298" /><br />
<em>Foto: Fuzzcas no HHP 2009 por Marcos Dantas</em></p>
<p>Antes foi a pequetita Carol Lima que tratou de encantar a platéia, à frente do Fuzzcas. O grupo tem estética/temática retrô, sem direção de tempo: de mil novecentos e sessenta e pouco pra trás tá valendo, inclua-se aí The Kinks, Beatles, música de bailinho de escola de filme americano, trilha sonora do cinema mudo e assim por diante. O hit “Deveras”, para se ter uma idéia, bem que poderia ser tema de personagem principal de novelas das seis da Rede Globo.</p>
<p>O que se nota no show do Fuzzcas é que os músicos já não estão inseguros quanto antes, prova de que o fato de o grupo ter tocado bastante nos últimos tempos tem melhorado – e muito – a performance no palco. Carol também está bem mais à vontade, e praticamente não erra o tom a cada música, exceção feita nas mais recentes. O timbre de voz dela, meio rouco, também não facilita as coisas. Outra das novas, “Quero Quero”, foi uma das mais aplaudidas.</p>
<p>Num flerte com o rock nacional produzido nos últimos tempos, o grupo mandou a nova “Se a Saudade Bater”, um folk rock à Vanguart bem sacado, e uma outra música que poderia fazer parte do repertório do Cachorro Grande. De propósito, o final do set engrena como um pot-pourri para “Estúpido Cupido”/“Banho de Lua” (só faltou “Broto Legal”) e “Antes da Tarde Se Acabar”, talvez a música mais pesada do quarteto. Marcado pela evolução, o show mostrou um Fuzzcas num outro patamar. Direto do túnel do tempo.</p>
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		<title>COMO FOI? HUMAITÁ PRA PEIXE (RJ) &#8211; TERCEIRO DIA</title>
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		<pubDate>Tue, 13 Jan 2009 10:44:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcos Bragatto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Coberturas]]></category>
		<category><![CDATA[Festivais e Shows]]></category>
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		<category><![CDATA[supergalo]]></category>

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		<description><![CDATA[
Foto: Supergalo no HPP 2009 por Tomás Rangel
Por Marcois Bragatto, Rio de Janeiro
Encontro dos mundos real e virtual não seduz público no Humaitá Pra Peixe
Supergalo, com integrantes de grupos de sucesso da década passada e o rock juvenil do Catch Side não atraíram grande número de fãs.
Maré baixa no primeiro domingão do Humaitá Pra Peixe. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-medium wp-image-5867" title="supergalo" src="http://www.dosol.com.br/wp-content/uploads/supergalo-448x298.jpg" alt="supergalo" width="448" height="298" /><br />
<em>Foto: Supergalo no HPP 2009 por Tomás Rangel</em></p>
<p><strong>Por Marcois Bragatto, Rio de Janeiro</strong></p>
<p><strong>Encontro dos mundos real e virtual não seduz público no Humaitá Pra Peixe</strong><br />
<em>Supergalo, com integrantes de grupos de sucesso da década passada e o rock juvenil do Catch Side não atraíram grande número de fãs.</em></p>
<p>Maré baixa no primeiro domingão do Humaitá Pra Peixe. A aposta da produção no rock juvenil do Catch Side não se mostrou eficaz, parece que a grande quantidade de amigos virtuais que a banda fez na internet nos últimos tempos preferiu ficar em casa vendo a transmissão (ao vivo) do show dos rapazes. As cerca de três fileiras empoleiradas na beira do palco não chegaram nem perto da expectativa de público que se tinha, se comparada aos grupos “teens” que tocaram em edições anteriores, como Forfun e Scracho. Se havia aí um filão de mercado, já começa a se esvair.</p>
<p>Mas o som surpreendeu, e muito. Nada do hardcore doce e meloso que tem habitado a cabeça dos adolescentes. Em seu lugar, o Catch Side atira para tudo quanto é lado, como se estivesse em busca de uma identidade, tal qual adolescentes em dúvida sobre o que ser quando crescer. O vocalista Kaká diz que a maior influência do quarteto – que se apresenta quase que com terninhos em branco e preto – são os Beatles, antes de mandar um cover para “Twist And Shout”. Mas o grupo bota Beto Guedes no meio numa cover de “Quando Te Vi”, que é versão dos Beatles também, e ainda toca “Anna Julia”, a música menos Los Hermanos de que se tem notícia. Dá pra sacar?</p>
<p><img class="alignnone size-medium wp-image-5868" title="cath-side" src="http://www.dosol.com.br/wp-content/uploads/cath-side-448x298.jpg" alt="cath-side" width="448" height="298" /><br />
<em>Foto: Catch side no HPP2009 por Tomás Rangel</em></p>
<p>Não dá. Ainda mais se considerarmos que, para uma banda de sete anos de estrada, com o segundo disco no forno, três covers em show de 40 minutos é demais. Das próprias, a balada dramática “Um Sonho” deve estourar no segundo disco, que a Deckdisc promete pra esse ano; “Eu e Você”, que curiosamente é hit numa FM popular de gosto questionável no Rio, se saiu bem; e – pra variar – a boa “O Sonho Não Acabou”, parece conservar a sonoridade antiga e mais pesada do grupo. O que mais chama a atenção, entretanto, é o encontro dos mundos virtual e real: enquanto os primeiros conhecem tudo e cantam o repertório ensaiadinho, os segundos tentam entender o que se passa.</p>
<p>Quem não entendeu nada foi o Supergalo. O grupo veio de Brasília, mas, mal escalado, teve que ver enfrentar a concorrência com uma tarde de autógrafos dos rapazes do Catch Side, que acontecia em paralelo no saguão da Sala Baden Powell. Trairagem dupla da produção do Festival. Sorte é que os cascudos Fred (ex-Raimundos), Alf (Ex-Rumbora) e Salsicha (ex-Maskavo Roots) não se abalaram e partiram para a diversão, mandando as músicas do álbum de estréia deles. Sorte também que aqueles interessados no mundo real – e nem eram tantos – garantiram o mínimo de participação.</p>
<p>Sorte porque Alf e cia. conseguiram reunir um repertório raro, com vocação para o pop. Músicas certeiras como “Bombando em Bagdá” e “Rei do Não”, que juntas abriram o show, ou mesmo a inibida “Perigo Perigo” já têm lugar certo no panteão das melhores composições do rock nacional dos últimos tempos. Ao vivo, é bom ver esses veteranos (sim, Salsicha, o tempo passa pra você também) com a disposição de garotos, sem ter que buscar refúgio em versões de sucessos de suas ex-bandas, muito embora covers de Sex Pistols e Devo serviram para fermentar um repertório ainda reduzido – só um disco foi lançado.</p>
<p>Os mais céticos podem anotar que o Supergalo não passa de uma continuação do Rumbora – e a observação até procede -, mas dessa vez o grupo se superou nas composições e depurou arranjos subtraídos de pretensões que não levavam a lugar algum. Agora, não. A simplicidade dá a tônica e faz das músicas um coletivo de boas idéias que incluem desde a melodia de cada música até sutis passagens instrumentais que enriquecem o chamado “conjunto da obra”. Pena o que o pífio comparecimento do público não contribuiu para uma apresentação, no mínimo, mais intensa. Ficou para a próxima.</p>
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		<title>COMO FOI? HUMAITÁ PRA PEIXE (RJ) SEGUNDO DIA</title>
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		<pubDate>Mon, 12 Jan 2009 09:52:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcos Bragatto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Coberturas]]></category>
		<category><![CDATA[Festivais e Shows]]></category>
		<category><![CDATA[marcos bragatto]]></category>
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		<category><![CDATA[luisa mandou um beijo]]></category>
		<category><![CDATA[SUPERCORDAS]]></category>

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		<description><![CDATA[
Foto:  Supercordas no HPP 2009, por Tomás Rangel
Por Marcos Bragatto, Rio de Janeiro
Indie rock se encontra com rock progressivo e bossa nova no Humaitá Pra Peixe
Supercordas e Luisa Mandou um Beijo mostram que o introspectivo subgênero já não é tão hermético assim.
Na noite reservada ao público indie, o Humaitá Pra Peixe aproveitou para homenagear os [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-medium wp-image-5844" title="supercordas" src="http://www.dosol.com.br/wp-content/uploads/supercordas-448x298.jpg" alt="supercordas" width="448" height="298" /><br />
<em>Foto:  Supercordas no HPP 2009, por Tomás Rangel</em></p>
<p><strong>Por Marcos Bragatto, Rio de Janeiro</strong></p>
<p><strong>Indie rock se encontra com rock progressivo e bossa nova no Humaitá Pra Peixe</strong><br />
<em>Supercordas e Luisa Mandou um Beijo mostram que o introspectivo subgênero já não é tão hermético assim.</em></p>
<p>Na noite reservada ao público indie, o Humaitá Pra Peixe aproveitou para homenagear os 20 anos do selo Midsummer Madness, escalando duas bandas reveladas pelo mentor Rodrigo Lariu. De menor expressão, o Luisa Mandou Um Beijo estava lançando o segundo álbum, prestes a chegar da fábrica. “Borboleta Imperial” é a música escolhida para apresentar o novo trabalho, e começa com a vocalista Flávia Muniz soprando uma mangueira desenrolada junto ao microfone. Ela ainda surpreenderia o público declamando poesias em trechos no meio do repertório, o que – diga-se &#8211; não chegou a ajudar muito no processo.</p>
<p>O grupo marca o perigoso encontro do indie com a bossa nova, mesmo que ontem tenha flertado suavemente com o reggae, dub e ska em algumas músicas. O instrumental é coeso, apesar da fama de pouco se apresentar ao vivo, mas peca pela forma sintética com que desenvolve as músicas. Em geral os dois guitarristas tocam sempre a mesma coisa, sem variações, e é raro uma evolução mais ousada ou um solinho distorcido que consagrou o subgênero outrora chamado de “guitar band” – exceto por raros momentos em que o guitarrista PP tem permissão para se soltar. Tanto que 15 músicas foram tocadas em cerca de 45 minutos de show.</p>
<p>É aí que sobressai um elemento que deveria ser secundário: o trompete. É ele que enfatiza as melodias e que sola, fazendo as vezes da guitarra nos melhores momentos do show. É o que acontece, por exemplo, na curiosa “Maracanã”, ou em “Anselmo”, quase um hit deles. Elas enfatizam, no meio indie, uma súbita alegria que coloca em xeque sua própria existência. Triste por definição, o indie se esbalda com um esplendor contido, circunspeto. Uma alegria impossivelmente triste. Mas o que mais se salienta no Luisa é a vocalista Flávia. Raras são as músicas em que ela consegue entrar no tom certo, além de desafinar durante todo o show. De timbre irregular, canta muito mal, dança sem noção rítmica e é o anticarisma em pessoa. Joga por terra, assim, as qualidades pontuais que poderiam fazer da música do grupo algo mais cativante.</p>
<p><img class="alignnone size-medium wp-image-5845" title="luiza" src="http://www.dosol.com.br/wp-content/uploads/luiza-448x298.jpg" alt="luiza" width="448" height="298" /><br />
<em>Foto: Luisa Mandou Um Beijo</em></p>
<p>Já com o Supercordas o buraco é mais embaixo. Aqui o indie rock também saiu da redoma, mas foi ao encontro do rock progressivo e da psicodelia pré-anos 70, e não é só a camiseta do baixista estampada com o ano de 1968 que denuncia isso. Os três guitarristas, cada qual com seu rumo, o telão reproduzindo as bolhas de óleo e os efeitos que saem dos pedais dão a impressão que estamos prestes a ver um show do Pink Floyd nos melhores momentos de Syd Barrett. O contexto inibe até as citações à simplicidade do rock rural que, se discretas, tornaram-se lugar comum nas inúmeras tentativas de explicar o som dos rapazes por parte da crônica musical.</p>
<p>Tanto que o violão pouco aparece nas músicas, e quando o faz não prejudica o todo. “Orquestra de Mil Martelos”, definida pelo vocalista fã de duendes como “quase um rock rural” é na verdade uma ode psicodélica de grandes proporções. Efeitos de todos os lados surgem no meio da música, de arranjo rebuscado que realça a dicotomia simples/complexo em seus extremos. “Um Grande Trem Positivista”, grandiloquente já no título, é outra em que, apesar da subtração de uma das guitarras, prevalece o clima retrô/moderno comum aos caminhos cruzados do indie rock com o rock progressivo.</p>
<p>Preparando o segundo disco, o grupo aproveitou para mostrar músicas novas como a boa “Mágica”, de inspiração no blues de raiz e que traz o guitarrista com cara de viajandão num enlace com sua pedaleira. Outra é a pouco ensaiada “Belo Horizonte”, que leva o terceiro guitarrista – Filipe Giraknob &#8211; a um teclado que serve para tudo, menos para ser tocado como se fosse um piano. Foi o fechamento precoce (só nove músicas?) para uma banda já com certa estrada e relevante produção, que, ao fundir elementos díspares de fases distintas do rock, deu de cara com uma sonoridade contemporânea e diferenciada.</p>
<p><a href="http://www.dosol.com.br/2009/01/como-foi-humaita-pra-peixe-rj-segundo-dia/"><img src="http://img.youtube.com/vi/oD9v79-rJ2I/default.jpg" width="130" height="97" border=0></a></p>
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		<title>COMO FOI? FESTIVAL HUMAITÁ PRA PEIXE (RJ) PRIMEIRO DIA</title>
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		<pubDate>Sun, 11 Jan 2009 15:12:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcos Bragatto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Coberturas]]></category>
		<category><![CDATA[Festivais e Shows]]></category>
		<category><![CDATA[marcos bragatto]]></category>
		<category><![CDATA[3namassa]]></category>
		<category><![CDATA[humaitá pra peixe cobertura]]></category>

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		<description><![CDATA[
Foto: 3namassa por Thomás Rangel
Por Marcos Bragatto, Rio de Janeiro
&#8220;Música de fundo&#8221; do 3namassa abre Humaitá Pra Peixe
Projeto lounge que salienta vozes femininas não funcionou muito bem ao vivo, mas platéia contemplativa aplaudiu mesmo assim.
Historicamente os projetos paralelos de artistas que se destacaram em outras bandas e o Festival Humaitá Pra Peixe têm tudo a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-medium wp-image-5834" title="humaita02" src="http://www.dosol.com.br/wp-content/uploads/humaita02-448x298.jpg" alt="humaita02" width="448" height="298" /><br />
<em>Foto: 3namassa por Thomás Rangel</em></p>
<p><strong>Por Marcos Bragatto, Rio de Janeiro</strong></p>
<p><strong>&#8220;Música de fundo&#8221; do 3namassa abre Humaitá Pra Peixe</strong><br />
<em>Projeto lounge que salienta vozes femininas não funcionou muito bem ao vivo, mas platéia contemplativa aplaudiu mesmo assim.</em></p>
<p>Historicamente os projetos paralelos de artistas que se destacaram em outras bandas e o Festival Humaitá Pra Peixe têm tudo a ver, sobretudo em noites de abertura ou encerramento. Ontem, na vizinha Copacabana, coube ao 3namassa, de integrantes do Nação Zumbi e Instituto, abrir a edição desse ano. O tal projeto consiste em evidenciar vozes femininas sobre bases desenroladas pelos músicos, coisa que funcionou bem o CD lançado ano passado, “Na Confraria das Sedutoras”.</p>
<p>Como projeto, no entanto, funciona muito mais em disco do que no palco. Juntar uma pá de mulheres para cantar sobre as bases feita por Pupilo, Dengue e Rica Amabis não é nada fácil, e por isso mesmo só quatro das treze que cantam no disco deram o a da graça na Sala Baden Powell. A irresistivelmente sexy Thalma de Freitas, a desengonçada Karine Carvalho, a fofa Lurdes da Luz e a esquálida Geanine Marques conseguiram o que parecia impossível: dançar e esboçar alguma performance (sobretudo Thalma) em músicas cuja vocação é fazer viajar, ainda mais para uma platéia sentada e contemplativa.</p>
<p><img class="alignnone size-medium wp-image-5835" title="humaita01" src="http://www.dosol.com.br/wp-content/uploads/humaita01-448x298.jpg" alt="humaita01" width="448" height="298" /><br />
<em>Foto:  Sala Baden Powell por Thomás Rangel</em></p>
<p>Musicalmente se percebe que, no palco, o 3namassa é uma banda de baixista, com Dengue comandando todas as músicas sem dar muita bola para o MPC de Rica, e muitas vezes deixa a guitarra do quarto elemento oculta. É Dengue quem decide os andamentos lentos e viajandões &#8211; salvo raras exceções – das músicas, que, se bem executadas e agradáveis, soam monótonas como se o local, em vez de ser um espaço para shows, fosse uma enorme lounge ao vivo, com o público a espera de algo que viria depois. Não veio. A apresentação é curta, até pela falta de repertório, que abre espaço para versões de músicas do Rei Roberto Carlos nos tempos da jovem guarda e até de uma Madonna pouco conhecida.</p>
<p>Sobrou, então, para as vocalistas a salvação da lavoura, mas só Thalma tinha intimidade com o riscado e o mínimo de bom gosto. Sob uma cabeleira black nos 70 e dentro de um vestidão estampado com as costas nuas, a cantora foi mais atriz do que nunca, esbanjando sensualidade nas músicas em que cantou sozinha, e até no dueto “delícia” &#8211; como disse o MC no playback &#8211; com Karine. Pena que esta, de figurino ordinário, não entrou no clima ao ser praticamente encoxada por Thalma. Alguém deveria ter apresentado o palco à dublê de cantora, que chegou a imitar os irritantes traquejos vocais do maridão Amarante.</p>
<p>Por ser modelo, Geanine Marques deve ter licença do Ministério da Saúde para exibir um visual cáustico de tão magro que projeta um esqueleto fora de proporções e agride a paisagem que se tem do palco, sob luz baixa e com vídeos realçando ao fundo. Quase imóvel, não soube aproveitar a experiência das passarelas. Lurdes da Luz teve seu melhor no momento num rap muito bem cantado, mas foi só. Talvez se juntasse ela e Thalma a coisa poderia ser melhor. Ou talvez o espetáculo tenha sido tudo muito bom mesmo, se considerarmos os aplausos complacentes de um público que só não lotou o teatro por causa de 50 furões.</p>
<p><a href="http://www.dosol.com.br/2009/01/como-foi-festival-humaita-pra-peixe-rj-primeiro-dia/"><img src="http://img.youtube.com/vi/-u1-exr403k/default.jpg" width="130" height="97" border=0></a></p>
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		<title>MARCOS BRAGATTO (RJ): UM VERDADEIRO PRESENTE DE NATAL</title>
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		<pubDate>Fri, 09 Jan 2009 10:55:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcos Bragatto</dc:creator>
				<category><![CDATA[marcos bragatto]]></category>
		<category><![CDATA[Matérias Especiais]]></category>
		<category><![CDATA[U2]]></category>

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Por Marcos Bragatto, Rio de Janeiro
Relançamento de vídeo histórico do U2 redime o Natal até mesmo para quem considera a festa capitalista um grande horror. Há coisas que só o rock’n’roll pode fazer por você.
Meus amigos, o tempo passa, o tempo voa e a Vera Fischer continua muito boa. Vejam vocês que, um vídeo que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-medium wp-image-5801" title="u2ingresso85" src="http://www.dosol.com.br/wp-content/uploads/u2ingresso85-448x261.jpg" alt="u2ingresso85" width="448" height="261" /></p>
<p><strong>Por Marcos Bragatto, Rio de Janeiro</strong></p>
<p><em><span class="descri">Relançamento de vídeo histórico do U2 redime o Natal até mesmo para quem considera a festa capitalista um grande horror. Há coisas que só o rock’n’roll pode fazer por você.</span></em></p>
<p>Meus amigos, o tempo passa, o tempo voa e a Vera Fischer continua muito boa. Vejam vocês que, um vídeo que assisti em primeiríssima mão em 1985 completa 25 anos e chega, enfim, ao formato DVD. E eis, que, do nada, ele surge das mãos do jovem entregador – mais jovem que o próprio filme, talvez &#8211; dentro de um insuspeito envelope branco, em vez de vir saltitante na famosa sacolinha. Sua chegada é tão importante e surpreendente que sou obrigado a quebrar o protocolo e considerá-lo o mais importante presente de Natal de todos os tempos. Ainda mais numa coluna escrita nesse 25 de dezembro.<span id="more-5800"></span></p>
<p>Falo do Natal e já me arrependo. Porque, verdade seja dita, não sou um entusiasta da data. Ao contrário, desde bem cedo considero a comemoração do nascimento de J. Cristo um horror. Não que tenha algo contra Ele, mas porque no dia de seu aniversário, J. Cristo é do de menos. Num mundo capitalista onde todos só pensam no consumo, o negócio é gastar dinheiro em presentes quase sempre desnecessários, fábulas consumistas como a de S. Claus e o escambau. Que mané nascimento de Cristo. Penso assim desde muito cedo, e embora tenha ficado de coração menos rígido a cada ano por causa da data em si, acho tudo que a cerca o tal do horror.</p>
<p>Abro, portanto, quase que uma exceção de toda a minha vida para, enfim, associar algo de extraordinariamente bom a uma data penosa. Explico. Não sei se os amigos já tinham ouvido falar do vídeo <a href="http://www.gardenal.org/rockemgeral/2008/12/u2live_at_red_rocks_under_a_bl.php">“U2 Live At Red Rocks”</a>, pois eis que é ele o dono das bodas de prata renascido em DVD. Falando assim, numa época em que DVD é algo mais banalizado que disco acústico, parece algo ordinário. Pois não é. Trata-se de um filme feito na hora certa com a banda certa, pelas pessoas certas. Sabe quando usam o termo “fazer história” (e como usam isso hoje em dia)? É por aí. Hoje, 25 anos depois, não há como não reconhecer a história viva, em estado bruto e documentada como pouco se fez até hoje.</p>
<p>Na sei se os mais jovens têm noção, mas, em meados dos anos 80 não era tão fácil assistir a um vídeo de rock. Naqueles tempos, não existia aparelho de DVD, a febre eram os videocassetes, que, aliás, poucos tinham em casa – só os mais abastados. Comuns como eu tinham que recorrer às chamadas salas de vídeo para assistir à gravações, geralmente pirateadas, dos shows de rock do momento. Nem tanto “do momento” assim, uma vez que existia um certo atraso para as coisas desembarcarem por aqui. Essas salas, com capacidade para menos de 100 pessoas tinham “telões” bem modestos e de qualidade quase sempre razoável, mas era o que se tinha, meus amigos, era o que se tinha.</p>
<p>Ocorre que, com a abertura política no Brasil, e depois do Rock In Rio, que arrombou as portas do rock na grande mídia em janeiro de 1985, o público interessado no assunto era agigantado a cada módulo tocado na Fluminense FM. A coisa já tinha crescido tanto, que a Rádio Cidade, sempre comercial, já tinha decido seguir os passos da Maldita e se tornar, ela própria, uma rádio rock. E jogou pesado, atraindo para seu elenco ninguém menos que Monika Venerábile, uma das mais marcantes vozes lançadas pela Fluminense, que, diga-se, entre outras revoluções, foi a primeira a ter somente locutoras femininas. Monikinha apresentava, na Cidade, o programa “102 Decibéis”, só de rock, aos domingos à noite, que, do nada, começou a promover a exibição do vídeo do U2 no Estádio de Remo da Lagoa, cuja capacidade, na época, era em torno de 5 mil pessoas.</p>
<p>O tal vídeo do U2 era o <a href="http://www.gardenal.org/rockemgeral/2008/12/u2live_at_red_rocks_under_a_bl.php">“Live At Red Rocks”</a>, embora a produção sequer soubesse disso. Reparem que no ingresso escaneado lá embaixo aparece “Vídeo inédito – Tour Europa”, e o vídeo foi gravado num palco encravado as montanhas rochosas do Colorado, nos Estados Unidos. Acontece que na data marcada para a exibição, com o local lotado, a cópia do tal vídeo ainda não havia chegado, e para não pagar um mico ainda maior foi exibido, no lugar do “Live At Red Rocks”, o “U2 Live In Berlim”, que mostrava um show de Bono e cia. numa fase seguinte, posterior ao do álbum “The Unforgetable Fire”, de 1984 – o “Live At Red Rocks” é da turnê do disco “War”, de 1983. Mais tarde, numa outra data, o vídeo prometido foi exibido e se tornou um clássico instantâneo em tudo o que era sala de vídeo e em cópias piratas de baixa qualidade feitas por todos. Imaginem hoje em dia um local com capacidade para 5 mil pessoas vendendo ingresso para exibir um vídeo&#8230; Outros tempos, meus amigos, outros tempos.</p>
<p>Mais e daí? Porque esse vídeo é histórico? Pergunta quem ainda não deixou de ler esse lengalenga todo. No que eu respondo. Porque flagrou uma banda nascida para ser grande, num momento de quase absoluta despretensão e carregando um frescor excepcional. Percebe-se Bono, The Edge, Larry Mullen Jr. e Adam Clayton desprovidos de quaisquer marras causadas pelo sucesso e suas agruras, mostrando um som acintosamente espontâneo e um repertório extraordinário, acrescido, nessa versão em DVD, de cinco músicas que tinham sido limadas na versão original para manter a duração de uma hora, considerada na época comercialmente ideal. Basbaques puristas irão reclamar disso, mas não há o que tirar nem por no DVD, muito menos extras desnecessários. Mas atenção: isso não é uma <a href="http://www.gardenal.org/rockemgeral/2008/12/u2live_at_red_rocks_under_a_bl.php">resenha</a>.</p>
<p>Outro fato a ser destacado é que as filmagens foram feitas sob intensas dificuldades climáticas, com um número reduzido de câmeras (6!) carregadas nos ombros dos profissionais e constantemente borradas pela neblina. Os ângulos alternativos, as incríveis tomadas de fumaças saindo dos corpos de músicos e do público, e o local em si, um anfiteatro no meio de uma pedreira distante de tudo – tudo isso contribui para um registro extraordinário de uma banda idem. Daí este velho homem da imprensa não se conter com o presente que veio dos céus. Obrigado, Velho Batuta!</p>
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		<title>MARCOS BRAGATTO (RJ): MELHOR DO QUE ANTES OU ROCK CARIOCA: A LUZ NO FIM DO TÚNEO</title>
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		<pubDate>Mon, 29 Dec 2008 09:55:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcos Bragatto</dc:creator>
				<category><![CDATA[marcos bragatto]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[ROCK CARIOCA]]></category>

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		<description><![CDATA[Meus amigos, nada como um dia após o outro. Desde que tenho essa coluna virtual me lembro de ter feito ao menos dois textos falando especificamente sobre as novidades do rock carioca. Num deles, já há algum tempo, enchi de elogios a tal cena que via, em qualidade e diversidade de bandas. Noutro, o mais [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Meus amigos, nada como um dia após o outro. Desde que tenho essa coluna virtual me lembro de ter feito ao menos dois textos falando especificamente sobre as novidades do rock carioca. Num deles, já há algum tempo, enchi de elogios a tal cena que via, em qualidade e diversidade de bandas. Noutro, o mais recente, escrito em <a href="http://www.gardenal.org/rockemgeral/2008/07/pior_que_antes.php">julho </a>desse ano, a despeito da final do festival das seletivas para o Mada, vi que a coisa estava muito ruim. Como poderiam as bandas que disputavam uma final de um festival ser tão ruim? Dureza, meus amigos, dureza.</p>
<p>Mas disse que nada como um dia após o outro. Eis que, no finalzinho desse ano, fui convidado para ser jurado do Festival B de Banda, gêmeo da tal seletiva, em todas as cinco eliminatórias e também na final. Posso concluir, com o alívio dos entusiastas de rock, que nem tudo está perdido. Ou, por outra, não há nada perdido. Não sei se a pré-seleção foi mais criteriosa, se mais bandas legais apareceram, se as bandas ruins jogaram a toalha, mas o fato é que, diferentemente daquilo que escrevi <a href="http://www.gardenal.org/rockemgeral/2008/07/pior_que_antes.php">aqui</a>, hoje a coisa está melhor que antes. Ligeiramente melhor, diga-se, mas melhor é melhor e não se fala mais nisso. <span id="more-5610"></span></p>
<p>O leitor de última hora, que viu o tal texto escancarando a ruindade das novas bandas cariocas e agora se depara com essas linhas já deve achar que sou de adotar a método “morde e assopra” só pra fazer média. Que, para desfazer minha fama de mau, estou a fazer contrapontos para ficar tudo por isso mesmo. Ou, ainda, que me arrependo do que escrevi e agora quero posar de bom moço. No que apelo, então, ao leitor de longa data. Não é nada disso. São os fatos, meus amigos, os fatos. Se vou lá e vejo uma pá de bandas ruins, digo que são ruins; se vejo trocentas bandas boas, digo que são boas. Simples, não é não?</p>
<p>Ocorre, quem, no entanto, as duas melhores bandas do festival sequer passaram das eliminatórias, e, por coincidência (quero crer) estavam escaladas para a mesma noite. Monstros do Ula-Ula e Madame Machado já são grupos prontos e, a rigor, nem deveriam estar disputando um festival para novatos como esse. Percebe-se isso já no primeiro ruído vindo da guitarra de uma das bandas antes de o show começar. É outra coisa, outro nível. E nem precisa dizer que o MM faz um skacore de primeira linha, com excelente sotaque pop, e o Monstros ataca de surf music, música trash, hardcore e afins. Primeiro vêm essas, depois as outras.</p>
<p>Pois ambas votam derrotadas por uma banda indie à Pixies e afins muito boa, a Stereologica. Muito novinha, ainda sem saber quem deve cantar, o menino ou a menina, não fez feio na final, mas, muito verde, ainda tem que rodar muito mais antes de embarcar para Natal. Pois Paulo Pilha também venceu sua eliminatória mais contando histórias do que fazendo música. E que histórias. Letras que falam de um zagueiro que deseja ser titular de seu time ou de uma esposa burra trazem de volta a graça do rock, sem passar pelo assustador engraçadinho, com o perdão da citação, de Mamonas Assassinas. Mas, pelo que soube, Pilha fez no festival seu terceiro show. Ou seja, ainda tem muito o que pilhar por aí.</p>
<p>Vi, também, que alguma bandas melhoram, e outras, realmente não têm jeito. Planar, por exemplo, pareceu bem mais à vontade no palco do que quando o vi numa outra oportunidade. Até o Mobile Drink, a primeira banda “emo metal”, do planeta, melhorou tanto que conseguiu até vencer sua eliminatória, uma das mais fracas do festival. Já o Tapete Red, repito, continua errado já no nome; no palco, pior ainda. Crombie, então, vencedor de outra das eliminatórias, até melhorou ao eliminar a percussão hipponga, mas acabou ganhando o carimbo certeiro de “cover de Djavan” do grande Bart.</p>
<p>Não acho que o Ganeshas, vencedor da finalíssima, é um grande representante, embora tenha vencido a final, segunda passada, lá no Odisséia, de lavada, como estampou a capa do Caderno B, do JB, na quarta. Mas ganhou na simpatia e tocando o bom e velho rock, numa grande prova (capitalizo em cima) de que rock é rock mesmo. É, também, um grupo muito novinho, e deve receber esse “prêmio” como um incentivo para fazer shows a rodo e chegar afiadinho ao Mada, que acontece daqui a uns oito meses. Toquem, rapazes, só o palco salva.</p>
<p>Não posso deixar de falar, ainda, de duas outras bandas legais, Amplexos e Parêntese. Se os nomes são ruins, o som merece ser escutado. Os dois apresentaram uma complexidade sonora pouco cativante, é verdade, mas que pode ser destrinchada com o passar do tempo. Porque as idéias parecem ser boas, e, se melhor (ou mais claramente) desenvolvidas, pode dar num bom rock. O resto, meus amigos, é joio. Mas percebam que o rock feito debaixo do Cristo Redentor não está liquidado. Agora, saiam daqui, copiem esses nomes e vão procurar o que ouvir deles por aí pela internet. Eu, ao menos, estou fazendo isso.</p>
<p><em>Até a próxima, e long live rock’n’roll!!!</em></p>
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		<title>COMO FOI? FACE TO FACE NO RIO DE JANEIRO</title>
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		<pubDate>Thu, 18 Dec 2008 10:07:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Foca</dc:creator>
				<category><![CDATA[Coberturas]]></category>
		<category><![CDATA[marcos bragatto]]></category>
		<category><![CDATA[face to face no rio de janeiro]]></category>

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Por Marcos Bragatto, Rio de Janeiro
Conteúdo: Rock em Geral
Grupo americano encerrou a turnê pelo Brasil, ontem, no Rio, encerrando, enfim, a década passada.
Dizem que é difícil fazer o tempo voltar atrás, mas foi exatamente essa a sensação que se tinha no Namastê Clube, no Rio de Janeiro, durante a apresentação do Face to Face: um [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.dosol.com.br/wp-content/uploads/facetoface.jpg"><img class="alignnone size-medium wp-image-4188" title="facetoface" src="http://www.dosol.com.br/wp-content/uploads/facetoface-448x301.jpg" alt="" width="448" height="301" /></a></p>
<p><strong>Por Marcos Bragatto, Rio de Janeiro</strong></p>
<p><a href="http://www.gardenal.org/rockemgeral"><strong>Conteúdo: Rock em Geral</strong></a></p>
<p><em>Grupo americano encerrou a turnê pelo Brasil, ontem, no Rio, encerrando, enfim, a década passada.</em></p>
<p>Dizem que é difícil fazer o tempo voltar atrás, mas foi exatamente essa a sensação que se tinha no Namastê Clube, no Rio de Janeiro, durante a apresentação do Face to Face: um túnel do tempo de mais ou menos uns dez anos. Não que não houvesse a presença dos mais jovens, que se estatelavam entre a grade e as inevitáveis rodas de pogo, mas marcou o comparecimento de gente que fazia dos anos 90 um período muito mais ativo (e fértil) para o hardcore melódico e afins.<span id="more-5445"></span></p>
<p>A começar pela abertura. Se o Stellabella está em plena atividade divulgando o álbum de estréia, e tocou tão cedo que as filas do lado de fora eram maiores que o público dentro da casa, o Rivets fez praticamente um show de reunião. Muito mais afinado com o público do Face to Face, reviveu o sucesso underground com músicas conhecidas e apresentou outras “novas”, que, segundo Fabrício, o lendário vocalista que já foi do seminal Barneys, já fazem parte de um disco pronto já há sete anos. Síndrome de Guns N’Roses? Vai saber&#8230;</p>
<p>Talvez uma das poucas representantes do hardcore da época que ainda não tinha tocado no Brasil, o Face to Face era uma espécie de grupo mais esperado no meio, e o público não decepcionou, agitando forte desde o começo do show. Tanto que no final da quarta música, “You Lied”, o vocalista/guitarrista Trever Keith se pronunciou a respeito. “Já vi que vocês gostam de rock’n’roll, né? Então vamos tocar!”, disse antes de iniciar a boa “Ordinary”. O repertório do show, que durou uma hora, é semelhante ao do DVD “Shoot the Moon – The Essencial Collection”, lançado no Brasil. A agitação do público era tanta que os sete seguranças que estavam entre o palco e a grade tiveram que suar o terno para segurar a onda – mais tarde Trever ainda ressaltou o trabalho dos engravatados.</p>
<p>Em “Disconnected”, enfim, um momento de descanso em que o público continuou cantando, sozinho, para deixar Trever Keith emocionado. O fato se repetiria em outras músicas, todos cantavam tudo, numa rara sincronia entre repertório, banda e agitação. “Complicated” foi outra em que o público cantou tão bem (e tão alto), que mereceu mais um agradecimento do vocalista aos fãs. No início do bis, ele quase puxou o grito de “oops, there is it”, o popular “u-tererê”, mas tudo não passou de piada. Duas músicas rápidas finalizaram o set, que foi menor que o de outras cidades incluídas nessa turnê. Mas seguramente uma hora foi o suficiente para todos se acabarem, antes de embarcar de volta do túnel do tempo. Agora, sim, a década de 1990 acabou.</p>
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		<title>MARCOS BRAGATTO (RJ): POEIRA ZINE FAZ JORNALISMO ROCK COMO ELE DEVE SER</title>
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		<pubDate>Tue, 16 Dec 2008 09:11:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Foca</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Por Marcos Bragatto, Rio de Janeiro
Conteúdo: Rock em Geral
Meus amigos, recordar é viver. Foi pensando assim que, ao receber um e-mail de divulgação lançando uma nova edição do Poeira Zine, fiquei embasbacado ao ver, estampado na capa, o excepcional Gov’t Mule. Não sei se o nome lhes é familiar, caros leitores. Mas a mim, sim. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Por Marcos Bragatto, Rio de Janeiro</strong></p>
<p><a href="http://www.gardenal.org/rockemgeral" target="_blank">Conteúdo: Rock em Geral</a></p>
<p>Meus amigos, recordar é viver. Foi pensando assim que, ao receber um e-mail de divulgação lançando uma nova edição do Poeira Zine, fiquei embasbacado ao ver, estampado na capa, o excepcional Gov’t Mule. Não sei se o nome lhes é familiar, caros leitores. Mas a mim, sim. Acontece que, por conta do destino, me vi separado do grupo que descobri pelas andanças do rock, tocando ao vivo, em pleno Canecão, a casa da música popular brasileira, no longínquo ano de 1996. Disse que me vi separado e repito: nunca mais tinha ouvido falar dessa extraordinária banda cujas fotos do show ainda estão aqui os meus alfarrábios . Ou, por outra, só li uma nota quando o baixista original faleceu, em 2002. Pensei que, depois disso, o Gov’t Mule tinha ido para o saco. Pois não foi.</p>
<p>Falei do Poeira Zine e não sei se vocês o conhecem. Tem nome de zine, mas é, na verdade, uma revista. Digo isso porque as matérias são escritas, diagramadas, impressas em gráfica e encadernadas, em “off-set”, com capa em papel couchê e tudo. Por isso chamo de revista, embora seja batizado como zine. Curioso que, na década de 90, a Rock Press tinha mais ou menos o mesmo formato e era uma revista, embora muito chamassem a publicação (as vezes com conotação pejorativa) de zine. Isso, hoje, já não tem a menor importância. A Rock Press, como boa parte das publicações impressas, virou site, e o Poeira Zine reina.<span id="more-5405"></span></p>
<p>Conheci o Poeira Zine há uns dois anos, quando o editor Bento Araújo gentilmente me enviou um exemplar, com o The Who na capa. Na época eu era um dos colaboradores da extinta Bizz, e a revista vivia uma “crise de capa”. Aliás, um dos motivos de a nova Bizz ter fracassado certamente foi a falta de habilidade na escolha das capas de cada edição, mas isso é outra história. Ocorre que, um subeditor da revista me disse, na época, que o The Who, lançando um álbum de inéditas depois de setecentos anos, só não foi capa porque eles não teriam conseguido uma entrevista com a banda. Eis que, ao abrir o Poeira Zine, estava lá um entrevistão com ninguém menos que Pete Townshend, o dono da boca. Ponto para bento Araújo, que, do quaro de sua casa, furou a Editora Abril.</p>
<p>Dessa vez, quando pedi para comprar a tal edição do Poeira com o Gov’t Mule na capa, Bento fez questão de me enviar, gratuitamente, logo dois exemplares, esse e o anterior, com uma geral na cena pré-punk de Chicago. Com mais atenção, verifiquei que Bento é quem faz praticamente tudo na revista (pra mim é – repito &#8211; revista), inclusive diagramação. Li também, no editorial, praticamente um pedido de desculpas pelo fato de a matéria de capa ser com uma banda “nova”, isto é, criada nos anos 90, quando a publicação foi criada para só mostrar os clássicos das antigas pra valer. Ou, nas palavras de Bento, “trazer de volta o espírito do jornalismo ‘rocker’ dos anos 70”. E olha que ele próprio, Bento Araújo, nasceu em 1976! É mole?</p>
<p>Este velho homem da imprensa rock que vos escreve deve confessar que não acompanhou a imprensa o que o editor citou no editorial. Mas, depois de ler, por questões pessoais, a matéria de capa, e quase toda a edição 21 de cabo a rabo, entendi o que ele quis dizer. Que informação legal se lê em revista especializada, com matérias multi-ganchos grandes e cheias de boxes explicativos – na do Gov’t Mule foram 12 páginas, quatro boxes e duas entrevistas exclusivas. Sim, eu sei que boa parte do conteúdo impresso naquelas páginas – sobretudo o biográfico – seguramente pode ser encontrado na internet, e ou próprio já teria acesso a ele se tivesse me disposto a procuram com um pá de cliques. Acontece que assim não é legal. Legal é ver a revista, como vi num e-mail, adquirir e ler. Eu mesmo poderia, ao saber que o Gov’t Mule estava vivo, ter procurado e encontrado notícias na web e saber de tudo antes de o correio chegar aqui na portaria do prédio. Preferi, no entanto, a versão impressa em revista – com um bom texto, diga-se – porque é assim que deve ser.</p>
<p>Falei de matéria legais como a do Gov’t Mule, publicada no Poeira Zine, justamente pra fazer a conexão que esbocei ali em cima, com Rock Press. Porque eu mesmo fiz matérias desse tipo para a finada publicação. Lembro de algumas, com Black Sabbath, Korn, Raimundos e The Police. Na época, fui advertido pelo meu amigo, o inefável Dr. Rodivaldo Traça, que chamou a empreitada de “jornalismo Google”. Como se tudo fosse copiado da internet para o papel. Ora, meus amigos, tanto eu como o Bento Araújo, a música e o rock em si, antecedemos à internet em muitos anos, e uma coisa é o pensamento, humano; outra é uma ferramenta cibernética somente útil nas mãos de gente como a gente &#8211; humanos.</p>
<p>Quando digo que jornalismo rock deve ser impresso, não me refiro apenas ao classic rock desempoeirado pelo Poeira Zine, mas de todo o rock. Pensem bem. Se Bento acha o Gov’t Mule novo, não é exagero dizer que o Oasis é um medalhão. Ou o que Police acabou de renascer das cinzas como um dinossauro, assim como o Pixies um ano antes. Todas essas bandas, só citadas a título de ilustração, poderiam ganhar matérias bem elaboradas como a do Gov’t Mule, numa publicação de rock impressa. O que Bento chama de “espírito do jornalismo ‘rocker’ dos anos 70”, nada mais é do que o jornalismo rock deve ser. Vejam: não é o rock que deve se adaptar à internet; esta é que tem que se enquadrar ao rock.</p>
<p>É de se salientar, entretanto, que enquanto publicações impressas de renome em todo o mundo, como o semanário New Musical Express, ícone da modernidade, agonizam e priorizam as versões virtuais, lá fora, na mesma Inglaterra, a revista Classic Rock completa dez anos e vai muito bem, obrigado. Está até distribuindo estatuetas para ícones do gênero, numa premiação anual que na edição de 2008 transformou Ozzy Osbourne oficialmente em lenda viva do rock. Numa visão intra-muros, aqui no Brasil, afora a “bancada pela fama” Rolling Stone, todas as outras impressas sucumbiram à internet, exceto o grande Poeira Zine e a Roadie Crew, que nasceu metal e vem adaptando o conteúdo para – advinhem – o classic rock. Seria essa uma tendência? O tempo dirá.</p>
<p>Como sempre digo, é tanta coisa no menu que eu não sei o que comer. Queria falar de Gov’t Mule e de imprensa rock de verdade. Que o Poeira Zine é um espetáculo e que o rock antecede à internet. Pois acabei falando mais ou menos um pouco de tudo, porque, como diz o cancioneiro, não tenho tempo a perder. Preciso ler a matéria sobre o California Jam e começar baixar logo os discos e shows do Gov’t Mule que o Poeira indicou!</p>
<p>Até a próxima, e long live rock’n’roll!!!</p>
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