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	<title>DoSol &#187; Matérias Especiais</title>
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		<title>DoSol</title>
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	<itunes:author>DoSol</itunes:author>
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		<title>ARTIGO: EU SÓ QUERIA SER MÚSICO</title>
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		<pubDate>Mon, 04 Jul 2011 11:32:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Foca</dc:creator>
				<category><![CDATA[DOSOL 10 ANOS]]></category>
		<category><![CDATA[Matérias Especiais]]></category>

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		<description><![CDATA[
Foto: Primeiro show do Jam97, também o primeiro show que organizei
EU SÓ QUERIA SER MÚSICO
Por Anderson Foca
Eu só queria ser músico. Tocar rock por aí, ser uma estrela da música e viver como num clip do Van Halen nos anos 80. Em 95 ser como os Raimundos já me bastava, vida na estrada, rock todo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.dosol.com.br/wp-content/uploads/jam97.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-20703" title="jam97" src="http://www.dosol.com.br/wp-content/uploads/jam97.jpg" alt="" width="403" height="272" /></a><br />
<em>Foto: Primeiro show do Jam97, também o primeiro show que organizei</em></p>
<p><strong>EU SÓ QUERIA SER MÚSICO</strong></p>
<p><strong>Por Anderson Foca</strong></p>
<p>Eu só queria ser músico. Tocar rock por aí, ser uma estrela da música e viver como num clip do Van Halen nos anos 80. Em 95 ser como os Raimundos já me bastava, vida na estrada, rock todo dia e coisas do tipo. Tentava sem sucesso ter uma banda que tinha como equipamentos uma caixa onde ligávamos todos os instrumentos e uma bateria surrada. Não havia escritório de familiares que não ocupássemos nos fins de semana com nossa “equipe”.</p>
<p>Em 97 dei um salto qualitativo. Passei a estar numa banda em que cada integrante tinha o seu equipamento. Quase não acreditei quando nos primeiros ensaios consegui finalmente ouvir minha voz minimamente depois de dois longos anos “cantando”. Formávamos um grupo chamado Jam97. Nome horroroso por sinal, mas que nos orgulhava muito na época. A tentativa de seguir carreira era uma só para quem estava no Nordeste. Tínhamos que ir ao Abril Pro Rock, ficar na porta do backstage, esperar Paulo André &#8211; produtor do festival – sair, dar uma fita cassete para ele e pronto, todo um sonho se realizaria: tocaríamos no evento, uma gravadora nos contrataria e no ano seguinte voltaríamos lá de novo com um disco e uma tour.</p>
<p>Eu só queria ser músico. Só que logo percebi que meu sonho morreria se eu esperasse a sorte bater na minha porta. O engraçado é que o universo conspira durante nossas elocubrações e acabei encontrando muita gente que vivia realidades (e sonhos) parecidas com a minha. Eram zineiros, roqueiros, indies, jovens jornalistas numa fauna imensa de desacreditados, totalmente à parte do universo das gravadoras, mas que acreditavam na música como condutora de suas vidas. Começamos a trocar cartazes, zines, fitas e nos conhecemos presencialmente em alguns festivais como o SuperDemo, Abril Pro rock, Porão do Rock, RecBeat, MADA, entre outros.</p>
<p>Eu só queria ser músico, mas em Natal tocar rock era impossível. Na angústia dos ensaios sem show, já fora da faculdade e com a carreira voltada só para a música, comecei a perder a esperança de ser contratado. Mais que isso, comecei a ter nojo da ideia de ter que entregar minha criação para outras pessoas editarem, gravarem e afins. Queria ser dono do meu nariz e responsável direto pelo sucesso ou fracasso da minha empreitada. Não me restava nenhuma alternativa a não ser seguir o caminho alternativo, onde shows autorais eram raros e tours de bandas de fora da cidade eram mais raras ainda. Começamos do zero produzindo shows para o Jam97, nessa época já com um nome um pouco melhor, o Ravengar. Lembro de comemorar como um gol uma nota de cinco frases publicada na Tribuna do Norte sobre o primeiro show. Era garantia de sucesso porque sem internet e redes sociais, o único jeito de informar as pessoas sobre uma atividade artística era via TV ou jornal. Assim comecei a me tornar um produtor cultural.</p>
<p>Como eu, centenas de jovens no Brasil inteiro passaram a ter as mesmas ideias, produzir os próprios shows, criar os próprios cartazes, seguir o lema punk do eterno “do it yourself” e empreender em atividades inéditas dentro de suas cidades, muitas delas inclusive ridicularizadas pelo poder público. Em Brasília, capital dos playboys, em Goiânia, capital da música sertaneja ou em Natal, capital do forró e em várias cidades Brasil afora a chama do rock independente permaneceu acesa, e mesmo nas mais toscas produções e nos piores espaços que nos abriram portas permanecemos ativos, mantendo a tradição dos nossos antecessores do punk, do começo do rock 80 e de muitos outros que vieram antes de nós.</p>
<p><a href="http://www.dosol.com.br/wp-content/uploads/Ravengar98.jpg"><img class="alignnone size-large wp-image-20704" title="Ravengar98" src="http://www.dosol.com.br/wp-content/uploads/Ravengar98-1024x700.jpg" alt="" width="417" height="284" /></a><br />
<em>Foto:  show do Ravengar em 98 no Boulevard, Natal/RN</em></p>
<p>No final dos anos 90 já fazíamos coisas bem relevantes. Começamos a lançar nossos primeiros discos, e a minha geração foi a que popularizou o CD como mídia. Ficamos mais perto de registrar nossos trabalhos, já que lançar vinil por conta própria era algo fora da nossa realidade pelos custos de estúdio e prensagem. Começamos a nos digitalizar e a internet apareceu. Lembro de tentar gravar meu primeiro cd com o Ravengar, mas era tão caro que a banda acabou antes de terminarmos o disco completo (a dívida do estúdio só foi paga quase três anos depois com os mesmos caras que mixamos hoje, o Megafone). Continuei em bandas e continuei produzindo shows e bandas. Meus companheiros fora daqui começaram a ter vitórias parecidas, alguns foram absorvidos pelo mercado mainstream, outros foram protagonizando cenas em suas cidades como a Monstro em Goiânia, Tamborete no Rio de Janeiro e uma infinidade de labels em São Paulo, só para servir de exemplo.</p>
<p>Com a internet, a troca de informações entre a minha geração ficou mais dinâmica. Fomos capazes de utilizar isso ao nosso favor enquanto assistíamos “de camarote” a derrocada das grandes gravadoras como conhecemos, engolidas pelo período digital. Nossas atividades foram ganhando alguma visibilidade, já não éramos os patinhos feios da sociedade, muito de nós estavam começando nas redações de jornais e revistas, aos poucos fomos começando a produzir artistas que eram nossos contemporâneos e que tinham atingido o grande público e fomos aprendendo a atuar mais profissionalmente.</p>
<p>Eu só queria ser músico, mas já fazia mais de dez atividades ligadas à música que não tinham a ver com ensaiar, compor e se apresentar. Meus trinta minutos em cima do palco eram um prêmio pelo meu esforço de fazer o rock acontecer diariamente na minha vida, na minha cidade e no meu país. Sabia que o que eu fazia era parte de algo muito maior e que tinha alguém bem longe de mim que estava fazendo o mesmo. Pela internet trocamos tecnologia e encurtamos caminhos uns dos outros. Nossa geração sabia que precisávamos de força conjunta, meu grupo nunca iria para São Paulo se eu não fosse capaz de receber um grupo de São Paulo por aqui. Criamos intercâmbio mínimo, médio e máximo.</p>
<p><a href="http://www.dosol.com.br/wp-content/uploads/dankojones1.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-20705" title="dankojones" src="http://www.dosol.com.br/wp-content/uploads/dankojones1.jpg" alt="" width="399" height="266" /></a><br />
<em>Foto: Um dos shows que sempre sonhei produzir. Danko Jones (Canadá) no Festival Dosol 2009. Virou realidade.</em></p>
<p>Não queríamos mais espaços ruins pros nossos shows e resolvemos abrir nossos próprios espaços, adequados à nossa realidade. Não queríamos mais estúdios que não entendiam nossa linguagem e compramos nossos próprios computadores. Não queríamos mais festivais com bandas que não nos agradavam e criamos nossos próprios festivais. Sou capaz de contar nos dedos das mãos quantos festivais de música independente existentes até hoje no Brasil que são geridos por caras que não são músicos ou não vieram de alguma banda. Perdemos editais e projetos por mais de dez anos para corporações culturais instaladas nas grandes cidades e aprendemos sozinhos a competir por melhorias para as nossas atividades. Ninguém nos ensinou, ninguém deu dica, não havia palestras. Atiramos no escuro até começar a acertar e replicamos as coordenadas para que mais de nós pudessem fazer o mesmo. Minha geração não ficou num bunker atirando pedra no inimigo oculto. Foi lá e cavou seu espaço com muito trabalho e dedicação que só o extremo amor pela música foi capaz de nos fazer aguentar. Isso pode soar piegas, mas é real.</p>
<p>Muitos de nós se organizaram em associações  e movimentos culturais para ter força política e defender nossos direitos como classe culturalmente ativa. Vieram ABRAFIN, Fora do Eixo, Associação de Produtores, Fóruns de Músicos, Redes, Casas de shows, Cine Clubes, sites, entre outras centenas de atividades, todas no intuito de se manter viva a chama da música nas mais variadas esferas da sociedade. Nossas responsabilidades aumentaram mas nunca corremos com medo desses novos desafios. Nunca corremos com medo de nada.</p>
<p>Por isso que é fácil entender porque caras como eu produzem festivais, têm banda, estúdio, fazem seus próprios clips, sua própria assessoria de imprensa e ainda saem para dividir experiências Brasil afora com quer tentar fazer o mesmo. Estamos acostumados. É o que fizemos ontem, fazemos hoje e vamos continuar fazendo amanhã. E eu só queria ser músico.</p>
<p>Para essa geração que se forma agora no meio do caos mercadológico em que se configurou a música no Brasil é compreensível que ao invés de heróis da resistência (título que não queremos para nós) sejamos vistos por alguns como o “mercadão a ser combatido”. O contra-ponto, o “inimigo” a se combater parecem ser uma espécie de pólvora propulsora. Sabemos disso, já fomos assim. A minha geração tinha um oceano para atravessar a nado para poder colher alguma vitória. E essa geração de agora? Qual é a briga boa a se comprar? Existe um oceano para ela atravessar?</p>
<p><a href="http://www.dosol.com.br/wp-content/uploads/markyramone.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-20706" title="markyramone" src="http://www.dosol.com.br/wp-content/uploads/markyramone.jpg" alt="" width="384" height="254" /></a><br />
<em>Foto:  perseguimos o sonho de trazer um Ramone à Natal por 10 anos. Marky Ramone em ação no Festival Dosol 2010.</em></p>
<p>Eu ouvia fita fora de rotação para conhecer meus ídolos da música e a nova geração clica num streaming e ouve qualquer coisa em altíssima qualidade. Eu via filmes dropados e com áudio fora de fase para assistir meus ídolos e hoje tudo está disponível no youtube em alta definição em tempo real. Só vi um estúdio ao vivo quase seis anos depois de começar minha carreira com música; hoje, em cada computador tem o que os Beatles jamais tiveram para gravar. Essa geração tem a sorte de não ter o que combater, porque não somos os inimigos inacessíveis com os quais eles nunca dialogarão como foi para gente quando começamos nossa atividade com música. Qualquer pessoa de qualquer lugar do mundo fala com qualquer um dos caras da nossa geração com um único clique e correspondemos a esse contato dentro do limite do possível (e às vezes do impossível).</p>
<p>Sobra tempo para essa geração empreender, se dedicar e realizar. Tempo que nenhum dos caras da minha geração ou dos que vieram antes jamais tiveram para se manter em atividade com música. Hoje temos uma super população de artistas que termina sendo um crivo muito mais difícil para quem quer ter uma carreira. Temos muito mais quantidade e dessa quantidade aumentou também a qualidade de registros, áudios e perfomances mundo afora. Cada período tem suas dificuldades e vocês da nova geração têm que arrumar soluções inteligentes para vencer esses novos obstáculos.</p>
<p>Dedico esse texto, que pretende ser o começo dos meus relatos para um livro de 10 anos de atividade do Dosol, para todos os meus amigos advogados, promotores, médicos, fiscais da natureza, e doutores que tentaram ter alguma carreira na música e por uma contingência do destino não conseguiram. Se hoje ainda continuo aqui empreendo na música devo isso a todos eles.</p>
<p>Essa é a única e real história sobre a minha geração, aquela que disse não ao mercado como ele existia e criou o seu próprio (e ainda muito pequeno) espaço. O mais legal disso tudo é que descrevi resumidamente acima apenas o começo de uma longa caminhada.  Podemos acumular conhecimentos e continuar a caminhada juntos. Quem se habilita?</p>
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		<title>CIRCUITO CULTURAL RIBEIRA &#8211; COLORINDO O BAIRRO</title>
		<link>http://www.dosol.com.br/2011/06/circuito-cultural-ribeira-colorindo-o-bairro/</link>
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		<pubDate>Tue, 28 Jun 2011 11:16:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Foca</dc:creator>
				<category><![CDATA[Matérias Especiais]]></category>

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		<description><![CDATA[
Chegamos neste final de semana na 5ª edição do Circuito Cultural Ribeira, ação capitaneada pela Casa da Ribeira e a Associação Cultural Dosol que vem promovendo todo o primeiro domingo de cada mês atividades gratuitas envolvendo todos os pontos culturais do bairro. A ação, aportada pelo Programa Conexão Vivo, através da Lei Câmara Cascudo, vem [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.dosol.com.br/wp-content/uploads/mau.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-20669" title="mau" src="http://www.dosol.com.br/wp-content/uploads/mau.jpg" alt="" width="396" height="527" /></a></p>
<p>Chegamos neste final de semana na <strong>5ª edição do Circuito Cultural Ribeira</strong>, ação capitaneada pela <strong>Casa da Ribeira</strong> e a <strong>Associação Cultural Dosol</strong> que vem promovendo todo o primeiro domingo de cada mês atividades gratuitas envolvendo todos os pontos culturais do bairro. A ação, aportada pelo Programa <strong>Conexão Vivo</strong>, através da <strong>Lei Câmara Cascudo</strong>, vem cumprindo seu papel de dar mais visibilidade às atividades do bairro e aos poucos também vem despertando interesse da classe artística que tem proposto atividades paralelas bem importantes como a <strong>Lavagem do Beco da Quarentena</strong> (ação organizado pelo Rosa de Pedra em conjunto com o produtor Marcíli Amorim), entre outras.</p>
<p>Nessa etapa do Circuito, outra atividade extra (e que deve continuar em toda as etapas) é a ocupação artística das paredes e muros do bairro. Dessa vez quem encabeça a atividade é o <strong>Atelier de Flávio Freitas</strong>, uma das figuras mais simpáticas e queridas do bairro. Junto com a coordenação do circuito foram levantados cerca de dez pontos de atividade que são possíveis de serem transformados com grandes telas e aplicações direto na parede. Estão escalados para essa primeira etapa de atividades de artes plásticas no circuito <strong>Daniel Minchoni</strong>, <strong>Sinha Sinha</strong>, <strong>Tôligado</strong>, <strong>Maurício Fontinelle</strong> e <strong>Flávio Freitas</strong>.</p>
<p>Vai ser legal ver o que esses artistas são capazes de fazer. Apareça para conferir neste domingo. Nos vemos lá! Abaixo vai um vídeo de uma atividade de Intervenção produzido pelo <strong>Dosol </strong>em setembro do ano passado:</p>
<p><iframe width="470" height="300" src="http://www.youtube.com/embed/pTlLMO60cvk" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>
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		<title>ARTIGO: HERMANO VIANNA &#8211; UMA NOVA ERA</title>
		<link>http://www.dosol.com.br/2011/01/artigo-hermano-vianna-uma-nova-era/</link>
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		<pubDate>Thu, 06 Jan 2011 08:16:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Foca</dc:creator>
				<category><![CDATA[Matérias Especiais]]></category>

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		<description><![CDATA[
Uma Nova Era
Por Hermano Vianna, publicado no O Globo.
Último dia de 2010. A Modern Sound, loja de discos de Copacabana,  encerra suas atividades. A Blockbuster americana entrou com pedido de  falência este ano. Fim de uma época. Lembro das minhas viagens de  adolescente, do Rio de volta para Brasília, com LPs importados [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.dosol.com.br/wp-content/uploads/hermano.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-17124" title="hermano" src="http://www.dosol.com.br/wp-content/uploads/hermano.jpg" alt="hermano" width="230" height="216" /></a></p>
<p><strong>Uma Nova Era</strong></p>
<p><em>Por Hermano Vianna, publicado no O Globo.</em></p>
<p>Último dia de 2010. A Modern Sound, loja de discos de Copacabana,  encerra suas atividades. A Blockbuster americana entrou com pedido de  falência este ano. Fim de uma época. Lembro das minhas viagens de  adolescente, do Rio de volta para Brasília, com LPs importados  carregados cuidadosamente na sacola da Modern Sound — medo de o vinil  empenar e assim perder a grana de muitas mesadas. Estranho, agora me dou  conta: nunca mais tinha comprado nada ali. E nas minhas mais recentes  viagens internacionais trouxe pouquíssimos CDs.</p>
<p>Meu som está quebrado, não tem peça para reposição, e fico com preguiça  de tentar resolver o problema. Não baixo música, escuto quase tudo o que  me interessa via YouTube, ou sites de streaming. Nem penso em arrumar  mais espaço em prateleiras (na verdade no chão da minha casa, onde  pilhas de CDs e LPs atravancam todos os caminhos) ou nos discos rígidos  para armazenar pesados arquivos sonoros.<br />
Tudo está na “nuvem”, abençoada nuvem, facilmente navegável com a ajuda  do Google. Esses meus novos hábitos não são minoritários. O fechamento  da Modern Sound é mais uma prova de que todo mundo passou a consumir  música online.<br />
<span id="more-17123"></span><br />
Ou não. A internet não é a única culpada. O buraco do modelo de negócios  fonográfico é bem mais embaixo, ou acima e por todos os lados. E também  não é só questão de economia. Vivemos uma grande transformação cultural  no modo como nos relacionamos com a música. Mais precisamente: voltamos  ao padrão básico de consumo musical da humanidade, aquele que  prevaleceu na maior parte das culturas e mesmo na história da chamada  civilização ocidental até pelo menos o início do século XX. Música quase  sempre foi um bem efêmero, sem registros físicos (mesmo partituras são  invenções recentes). Só com a chegada dos toca-discos e depois dos  gravadores é que isso mudou e as pessoas aprenderam a comprar discos e  fitas para escutar em casa na hora que sentissem necessidade. Mesmo  durante o tempo de império do fonograma, as comunidades que ainda  produziam “folclore” tinham uma outra relação com a arte sonora, nunca  tratada exatamente como arte. Não havia divisão clara entre quem tocava e  quem escutava, tudo era feito na hora, mais ou menos improvisadamente,  com autoria coletiva. A ideia de se registrar aquilo para escutar  depois, fora da festa, não fazia sentido. Para escutar novamente aquela  música, ou para fazer de novo aquela música, a gente precisava esperar  por novas festas.</p>
<p>Quando passeio pelo YouTube, não posso deixar de pensar: eis o novo  folclore. Como diz o Kraftwerk: “Music, non-stop.” Festa, non-stop,  tanto em termos geográficos como temporais. Todo mundo fazendo música,  todo mundo fazendo clipes para as músicas dos outros, todos os quartos  do mundo unidos por webcams numa produção musical/dançante/festiva  constante e avassaladora. Ninguém se contenta apenas em ouvir a música: é  preciso expor para o mundo sua própria interpretação sonora/visual/  coreográfica daquele hit do momento, numa conversa musical sem fim. Hit:  não émais questão de discos vendidos, mas sim de views, audições,  número de clipes feitos por fãs, o que pode gerar dinheiro com shows,  pois os shows são materializações — também efêmeras, mesmo quando  registradas por milhões de celulares — da festa que acontece na rede.</p>
<p>O hit do momento, a música que vai sacudir o Brasil neste verão é “Minha  mulher não deixa não”. Fico na dúvida até se é música, e aqui não vai  nenhum juízo de qualidade artística. Acho que é mais um mote, um tema  para improviso e diversão das massas. Procure pelo título no YouTube.  Você vai encontrar milhares de vídeos. Há a música tocada em todos os  ritmos imagináveis, com muitas letras diferentes. Há tecnobrega, forró,  samba, funk, sertanejo. Há respostas para a letra “original” (mas nesse  caso ninguém sabe qual a verdadeira origem), inclusive dizendo o oposto:  “Minha mulher não manda em mim”. Isso sem contar com os vídeos que  apenas criam novas imagens para uma das versões da música, geralmente  com gente se esbaldando de dançar, em seus quartos, quintais e ruas de  todo o país. É uma grande brincadeira coletiva, uma explosão de  criatividade jocosa, uma gargalhada eletrônica juntando incontáveis  risadinhas (e, claro, para a atual Lei do Direito Autoral, toda essa  brincadeira está fora da lei). Na vitrola, e mesmo na TV, perde grande  parte da sua melhor graça.</p>
<p>Vendas em canto nenhum. Diante dessa saudável bagunça toda, e do  fechamento da Modern Sound, resta a pergunta: o disco acabou? Claro que  não! Sei lá como vai funcionar o negócio, mas nunca escutei tanto  discobom recém-“lançado” para Como o maravilhoso “Mafaro”, de André  Abujamra, um dos meus preferidos de 2010. Diz a letra da faixa  “Daunloudaram”: “Ei tudo bom/ Quem sabe algum dia alguém/ escute o seu  som/ Ei num esquenta, esquece/ Já baixaram seu CD inteiro na/ internet.”  Tomara que baixem mesmo, e comprem e façam vídeos incríveis para cada  música (tomara que apareça um jeito de o artista ganhar dinheiro com  isso). Motivos para a festa não faltam no disco. Festa de muitas  fantasias étnicas: do afro-beat à farra árabe ou cigana, tudo linkado  pela luz da cauda da flecha de Oxossi ou pela proteção de Logun-Éde.  André se explica: “‘Mafaro’ quer dizer ‘Alegria’ na língua do Zimbábue.  Este CD é para aceitar a alegria.” Tudo muda o tempo todo. Que todo  mundo, incluindo meu querido Pedrinho da Modern Sound, fique protegido  da tristeza e encontre motivos para alegria nova em 2011. E depois.</p>
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		<title>SELO VIGILANTE DESTACA CENA POTIGUAR</title>
		<link>http://www.dosol.com.br/2010/09/selo-vigilante-destaca-cena-potiguar/</link>
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		<pubDate>Thu, 16 Sep 2010 10:16:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Foca</dc:creator>
				<category><![CDATA[Matérias Especiais]]></category>

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		<description><![CDATA[A pedido do Selo Vigilante, escrevi um pequeno texto sobre a cena potiguar de rock. Acompanhem:
Texto de Anderson Foca*)
Do olho do furacão falo um pouco da cena potiguar aqui no Site Vigilante a convite do Rafa Ramos, parceiro de rock desde os tempos em que ele era baterista do Jason (RJ) e dormia no chão [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A pedido do Selo Vigilante, escrevi um pequeno texto sobre a cena potiguar de rock. Acompanhem:</p>
<p><em>Texto de Anderson Foca*)</em></p>
<p style="text-align: justify;">Do olho do furacão falo um pouco da cena potiguar aqui no Site Vigilante a convite do Rafa Ramos, parceiro de rock desde os tempos em que ele era baterista do Jason (RJ) e dormia no chão da minha casa (fazem quase 15 anos). De lá para cá as coisas deram um guinada para melhor na música potiguar no geral. Cenas se formaram, festivais apareceram e passamos a ter até uma pequena liderança nordestina em se tratando de música independente.</p>
<p style="text-align: justify;">Nada disso foi por acaso e é fruto de muito trabalho e dedicação de várias pessoas em vários momentos da nossa curta história. 1998 foi um ano chave com o começo das atividades do <a href="http://www.festivalmada.com.br/">MADA</a>, um dos festivais de música do estado e das atividades ainda undergrounds do que vinha se tornar o <a href="../">Dosol</a> (nessa época apenas duas pessoas fazendo shows trimestrais).</p>
<p style="text-align: justify;">Hoje temos pelo menos quatro eventos sólidos e anuais com muita (ou alguma) projeção: <a rel="wp-prettyPhoto[g631]" href="http://www.festivalmada.com.br/">MADA</a>, <a rel="wp-prettyPhoto[g631]" href="../">Festival Dosol</a>, CaosNatal e <a rel="wp-prettyPhoto[g631]" href="http://www.youtube.com/watch?v=yqNNRSHz46E">Chamada Carnavalesca do Rock</a>. Outros tantos estão se formando como o Festival Rock Potiguar e o Mormaço. Dentro dessa pespectiva terminamos recebendo muitas bandas de fora do estado, o que nos trouxe novas sonoridades, network e experiência.</p>
<p style="text-align: justify;">Como em todos os lugares do país existe ainda muito pouco compromisso com a música como empreendimento, o que torna as banda incipientes e com pouca durabilidade. Isso, se por um lado mostra um pouco de falta de continuidade para alguns trabalhos, por outro termina misturando músicos e se formando novas bandas (invariavelmente melhores que as originais). Com uma dezena de exceções, praticamente de dois em dois anos temos uma reformulação de formações, bandas e até de público nos espaços onde rolam shows.</p>
<p style="text-align: justify;">No Centro Cultural Dosol, lugar onde fazemos nossas atividades, sentimos essas mudanças o tempo todo, já que comemoramos seis anos de existência numa cidade em que a média de tempo em que casas de shows ficam abertas é de menos de um ano. Dentro das possibilidades e com muito trabalho (diário e constante) está tudo indo bem por aqui. Destaco três grupos que estão na ativa e que valem a pena serem lembrados, claro que muitos outros nomes como <a href="http://www.myspace.com/valeriaoliveira">Valéria Oliveira</a>, <a href="http://www.myspace.com/bugs4">Bugs</a>, <a href="http://www.myspace.com/osbonnies">Os Bonnies</a>, <a href="http://www.myspace.com/veniceunderwater">Venice Under Water</a>, <a href="http://www.myspace.com/ak47rn">Ak-47</a>, <a href="http://www.myspace.com/exposeyourhate">Expose Your Hate</a>, <a href="http://www.myspace.com/planant">Planant</a>, entre outros poderiam entrar aqui. Confira:</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><a href="http://www.myspace.com/camaronesorquestraguitarristica">CAMARONES ORQUESTRA GUITARRÍSTICA</a></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><a rel="attachment wp-att-642" href="http://www.dosol.com.br/2010/09/16/selo-vigilante-destaca-cena-potiguar/discos-virtuais/"><img title="rn1" src="http://www.semprevigilante.com.br/wp-content/uploads/rn11-e1284392997320.jpg" alt="" width="435" height="288" /></a><br />
Banda instrumental que toca rock com flertes no pop, reggae, ska, metal e o que mais vier na telha. O lema da turma é diversão e shows, que é onde as coisas acontecem pro grupo. Atualmente está numa tour que já teve 40 datas (só esse ano), entre eles a Virada Cultural de SP, Abril Pro rock, Circo Voador, Bananada, RecBeat, Festival Dosol, Feira da Música do Ceará e Sesc Pompéia.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.myspace.com/bandacalistoga"><strong>CALISTOGA</strong></a></p>
<p style="text-align: justify;"><img title="rn2" src="http://www.semprevigilante.com.br/wp-content/uploads/rn2-e1284393483583.jpg" alt="" width="435" height="289" /><br />
Vindos do hardcore, a turma evoluiu o som e hoje faz um dos shows mais intensos do rock nacional, com guitarras altas, melodias certeiras e experimentações vocais. Também circulam bastante e atualmente estão gravando seu quarto trabalho. Se você gosta de At The Drive In, Fugazi ou Queens Of The Stone Age vá para dentro!</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><a href="http://www.myspace.com/dusouto">DUSOUTO</a></strong><br />
Maconha, loops, letras sarcásticas e som feito para fazer o povo cair na dança. Esse é o Dusouto, uma das das formações mais legais do estado. Tudo isso com a bagagem de ter na sua formação dois terços do General Junkie, a melhor banda de rock de Natal em todos os tempos. O terço que completa o trio é Gabriel Souto, gênio dos pitocos, artista no seu estado mais bruto. Saí da frente!</p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>(*<a href="http://twitter.com/FocaDosol">Anderson Foca</a> é <a href="../">Do Sol</a>)</strong></em></p>
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		<title>OPINIÃO: MONEY FOR NOTHING POR HIGOR COUTINHO</title>
		<link>http://www.dosol.com.br/2010/01/opiniao-money-for-nothing-por-higor-coutinho/</link>
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		<pubDate>Sat, 23 Jan 2010 09:22:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Foca</dc:creator>
				<category><![CDATA[Matérias Especiais]]></category>

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		<description><![CDATA[
Depois de uma enorme e bacana discussão nos comentários do blog oinimigo, repercutindo a entrevista que Pablo Capilé deu na sua passagem por Natal, replico a melhor opinião sobre o assunto que li e que pode representar a nossa (do Dosol) nesse contexto todo. O texto é do Higor Coutinho do Goiânia rock News. Leia [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.dosol.com.br/wp-content/uploads/capilé.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-11868" title="capilé" src="http://www.dosol.com.br/wp-content/uploads/capilé.jpg" alt="capilé" width="391" height="366" /></a></p>
<p><em>Depois de uma enorme e bacana discussão nos comentários do <a href="http://WWW.oinimigo.com" target="_self">blog oinimigo</a>, repercutindo a entrevista que <strong>Pablo Capilé</strong> deu na sua passagem por Natal, replico a melhor opinião sobre o assunto que li e que pode representar a nossa (do <strong>Dosol</strong>) nesse contexto todo. O texto é do <strong>Higor Coutinho</strong> do<a href="http://goianiarocknews.blogspot.com/2010/01/money-for-nothing.html" target="_blank"> Goiânia rock News</a>. Leia aí:</em></p>
<p>Desde que o mundo é mundo a humanidade está dividida em contentes e descontentes. E o descontentamento é poderoso, transformador, quando conduzido para o lugar certo. Mas independente da geografia, o “lugar certo” na maioria esmagadora das vezes está subordinado ao contexto, a uma série de fatores conjugados que ajuda na conversão dessa contrariedade em uma nova realidade que, por melhor que seja, muito provavelmente vai produzir novos descontentes.</p>
<p>A atual cúpula da música independente nacional, resumida em cerca de meia-dúzia dos produtores de alguns dos festivais mais importantes do circuito, ascendeu localmente em meio a um cenário de transição, fruto da associação entre uma nova, e favorável, realidade tecnológica e a insatisfação com aquela lógica de mercado castradora, que impedia sistematicamente o desenvolvimento orgânico de uma música honesta, essencialmente urbana, até então mal-aparelhada e apertada em guetos.</p>
<p>Da apropriação dessa popularização tecnológica via banda-larga, e do descontentamento (e, quase sempre, de uma devoção quase religiosa à música) nasceram os símbolos propostos de uma nova lógica, organizada de baixo para cima, que desprezava o “sucesso” e em seu lugar cobrava (propunha) somente dignidade artística, traduzida na “utópica” criação de um circuito nacional de música independente que conseguisse, no mínimo, se manter de pé sozinho.</p>
<p>O resultado disso tudo todo mundo já sabe. Reunidos em associações locais que se expandiram (e se integraram) até atingirem alcance nacional, produtores (que grande parte das vezes são também músicos) fundaram a ABRAFIN – Associação Brasileira de Festivais Independentes, e uma série de outras siglas que tentam organizar e, atribuindo um método ao processo, profissionalizar o circuito.</p>
<p>Porém, estabelecidos os pilares dessa nova realidade, um eventual e desorganizado coro de descontentes surgiu e tem se manifestado ferozmente sempre que pode. E o ultraje máximo a que respondem com tanta ferocidade é o fato de que, ao serem convidados para alguns dos vários festivais da associação, a ABRAFIN se recusou a pagar para tê-los em suas programações.</p>
<p>O mais novo palanque dessa turma é o espaço reservado aos comentários na entrevista que o Pablo Capilé, membro cuiabano dessa cúpula, concedeu ao Hugo Morais e que está publicada no Inimigo.com. E o mais curioso não são as reclamações recalcadas, mas a paciência e didatismo com que figuras como o Miranda (é, esse mesmo) e o Fabrício Nobre tratam seus detratores, respondendo pacientemente a esdrúxulas acusações que vão de enriquecimento ilícito até exploração de trabalho escravo (!?).</p>
<p>Não consigo enxergar muita polêmica no tema. Juro. Pra mim as coisas são tão simples quanto poderiam ser. Música é, essencialmente, prazer estético, comunicação. Cada banda vale quanto pesa, e se a sua ainda não se comunica como você gostaria, e não garante um público que valha o investimento, festival nenhum no mundo vai gastar sua verba com você. Com ou sem patrocínio público. Ponto.<span id="more-11867"></span></p>
<p>Agora, se você conseguiu repercussão local a ponto de um festival de outro Estado se interessar em ter sua banda na programação, mas te trata mais como uma “aposta” do que como “revelação”, você tem duas opções. Se tiver mesmo certeza do seu talento, aposte você também e invista aquela grana que estava reservando para trocar de guitarra. Pague pela viagem, toque e faça diferença.</p>
<p>Tocou muito cedo, tinha pouca gente, o show não teve a repercussão esperada e ainda ficou sem a grana? Paciência. Era uma aposta e você sabia que o risco do fracasso existia tanto quanto o do sucesso (o produtor do festival também correu risco de falhar, e no caso dele o prejuízo seria bem maior que o seu).</p>
<p>A segunda opção é achar que você é talentoso demais ou já está mesmo muito velho pra esse tipo de aposta, e recusar. É simples. Cada um encara a música de um jeito, e se você já desistiu de apostar em si mesmo é por que deve ter definido outras prioridades. E se não definiu, deveria.</p>
<p>Mas o “caso modelo” que inspira tanta reclamação sem sentido, tem contornos bem particulares. Fernando Catatau, líder do Cidadão Instigado, em matéria da Rolling Stone Brasil assinada pelo chapa Leonardo Dias Pererira, foi o legitimador involuntário dessa nova turma de descontentes ao cravar:</p>
<p>Acho esses festivais e a entidade que os organiza [Abrafin] uma máfia. São sempre as mesmas bandas e toda vez que nos chamam é pra fazer show quase de graça. Não tenho mais idade pra desvalorizar a minha música. Até brincamos entre a gente que vamos fazer a Abramim &#8211; Associação Brasileira dos Músicos Independentes.</p>
<p>Mas o Cidadão Instigado sempre foi muito mais sucesso de crítica que de público, e jornalista não paga ingresso. De modo que é bem possível que as contas não fechassem pra nenhum festival que bancasse a banda pelo peso que Catatau crê que ela vale, e assim o músico descarta conscientemente e por opção outras possibilidades (como a própria formação de um público maior) em nome da idade e de um justo brio artístico.</p>
<p>O perigo, pra você que se inspira na atitude do Catatau para se indignar pela falta de pagamento pela sua música, é que muito provavelmente seu talento é tão incompreendido quanto falso, e além de não ter público você não tem o aval da imprensa especializada, esvaziando assim suas reivindicações e te transformando numa espécie de bebê-chorão, reclamando aceitação num clubinho que não te trata como você acredita que deveria.</p>
<p>E se você fosse inteligente o suficiente, usaria essa sua frustração, esse seu descontentamento, pra engolir o orgulho, voltar pra garagem e polir a criação, planejando também uma vida financeira para sua banda, poupando os centavos para persistir na aposta, até que o público (ou a crítica) te legitime e dê algum sentido às suas aspirações de ser pago pra tocar.</p>
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		<title>DISSEMINAÇÃO POR REDES SOCIAIS</title>
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		<pubDate>Thu, 17 Dec 2009 11:38:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Foca</dc:creator>
				<category><![CDATA[Bruno Nogueira]]></category>
		<category><![CDATA[Matérias Especiais]]></category>

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Por Bruno Nogueira
A idéia de redes sociais é antiga. É anterior a própria internet. A rede é uma metáfora para observar padrões de conexão entre um grupo social. É uma estrutura social, formada por atores e suas conexões. No mundo offline, esse ator somos nós, o indivíduo e as pessoas que temos contato direto. No [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-medium wp-image-11279" title="BRUNO REDES" src="http://www.dosol.com.br/wp-content/uploads/BRUNO-REDES-448x248.jpg" alt="BRUNO REDES" width="448" height="248" /></p>
<p><strong>Por Bruno Nogueira</strong></p>
<p>A idéia de redes sociais é antiga. É anterior a própria internet. A rede é uma metáfora para observar padrões de conexão entre um grupo social. É uma estrutura social, formada por atores e suas conexões. No mundo offline, esse ator somos nós, o indivíduo e as pessoas que temos contato direto. No online, essa idéia de ator fica mais complexa. Passa a ser uma representação do individuo.</p>
<p>Essas representações são os blogs, os fotologs, nossa conta no twitter e no orkut. Porque é assim que nós conseguimos nos materializar dentro da internet. São nossos lugares de fala. E os blogs e fotologs são ferramentas que ajudam a construir nossa identidade na rede. São uma forma de narração do eu, porque quando estamos lá, estamos sempre falando e expondo a nós mesmos antes de qualquer coisa.</p>
<p>É preciso ser visto para existir no ciberespaço. A primeira grande diferença entre uma rede social offline e uma online, é que para que a gente se socialize na rede, a gente precisa ser visto.</p>
<p>Esses atores, ou suas representações, constituem uma rede social através dos laços que eles criam através de várias ferramentas. Podem ser laços associativos, como decidir ser amigo de alguém no Orkut ou trocar links no fotolog. Ou laços dialógicos, como conversar com alguém no MSN ou trocar scraps no Orkut. Laços que dependem da reação de outros atores. Ambos são laços de relação complexa. Afinal, não basta fazer parte de sua rede, tem gente que você vai se relacionar mais ou melhor que outras, pessoas que tem amizade mais antiga, etc.<span id="more-11278"></span></p>
<p>Vale lembrar que, apesar de estarmos falando em online e offline, a rede não é definida pelo suporte. Redes não existem só em um mundo. A rede está no indivíduo. Nós carregamos nossas relações para onde vamos. Algumas dessas relações você ativa só quando está online, mas isso pode ter impacto ainda maior na sua vida offline e vice-versa. Basta pensar nos namoros a distância. É um laço forte entre dois atores, de forte impacto offline, mas que é ativado pela internet ou pelo telefone.</p>
<p>Nessa relação entre atores, através de laços na rede, tem ainda o que nós chamamos de capital social. Esse é um debate mais complexo. Basicamente, entre várias coisas, diz também que algumas pessoas são mais influentes em determinados contextos. E estar ligado a essas pessoas te permite estar ligado a várias outras. São o que chamamos de “hubs”, que por sua vez permitem a formação de comunidades dentro das redes sociais. Quando a gente assume que um grupo é formado “pelos amigos de Pedro”, estamos reconhecendo essa formação social e que Pedro é um hub. Conhecer ele te permite conhecer os amigos dele.</p>
<p>Como disse antes, redes são metáforas estruturais. E quando essas relações são formadas na internet costumam ter três topologias básicas. A primeira é a rede distribuída, onde os nós tem mais ou menos a mesma quantidade de conexões, sem relações de hierarquia. A segunda é a centralizada, onde um nó – um ator – centraliza a maior parte das conexões. E, por fim, a descentralizada, que tem vários grupos de pequenos nós centrais. O interessante de conhecer esses desenhos é entender como uma informação circula em cada tipo de rede.</p>
<p>Mas, em termos mais práticos, como isso funciona para quem trabalha com música?</p>
<p>As redes sociais, como eu expliquei mais cedo, lembram muito o que nós entendemos por cadeia produtiva. A cadeia produtiva, como a gente já sabe, é exatamente um conjunto de nós. De atores que se relacionam, através de ferramentas, uns com os outros com um foco específico. O desse caso é fazer a música circular.</p>
<p>Estar na cadeia produtiva é, portanto, fazer parte de uma rede social. É ter essa consciência que somos atores, que nos manifestamos de várias formas, seja cantando, produzindo, ajustando o som do palco ou escrevendo sobre música em um jornal, e que estamos constantemente interagindo.</p>
<p>No Brasil, nossa cadeia produtiva em clima de “Feira da Música”, “business” e “networking” tem uma rachadura bem grave, principalmente no que diz respeito ao artista independente, dificilmente percebido por ele. O artista não sabe quem é seu público. Basta ler os projetos enviados para editais públicos. Todos eles pedem para que seja dito quem é o público alvo do artista. Uma boa parte diz que o público alvo são produtores, outros músicos e jornalistas. Uma parte ainda maior diz que seu público alvo é de “milhares de pessoas”. E, quase todos, concordam que é “impossível” saber hoje em dia quantas pessoas vão ouvir sua música.</p>
<p>Não é impossível saber quantas pessoas escutam sua música. O medo de responder vem do medo de que seja preciso atingir uma massa para ser aprovado. Quando nunca foi exatamente assim. Se você tem um trabalho e já se apresentou algumas vezes, então é certo que as pessoas já estão ouvindo e você já tem um público. Você precisa encontrar seu público e saber onde eles estão se manifestando.</p>
<p>Quantas pessoas, por exemplo, tem em sua comunidade? Esse é seu público. São pessoas que, de certo modo, tem interesse em comprar seu disco e/ou pagar ingresso para assistir seu show. E essa é uma base de quantas pessoas você consegue atingir espontaneamente agora. O objetivo é sempre aumentar esse número. E a regra é nunca, nunca, nunca esquecer que ele existe.</p>
<p>Existe um erro clássico, cometido por oito de cada de dez pessoas que trabalham com música e se maravilham com o orkut e outras redes sociais. O erro vem do fato que, ao entrar lá, percebemos que os produtores estão lá e outros músicos estão lá. Então é comum já chegar enchendo o saco de tal pessoa achando que isso vai te trazer algum retorno para seu trabalho. Mas só que o público também está lá. O público. Aquelas pessoas que dão dinheiro para comprar seu disco e pagam ingresso para ver seu show. As pessoas que amam sua música.</p>
<p>Numa rede de músicos, você é apenas um ator sem força. Na rede da sua música, você é um motivo para que as pessoas se conectem. E é isso que a música faz. Ela é um motivo para nos encontrarmos e nos socializarmos. Nossas amizades e decisões quase sempre são decididas com base na música. Frequente a comunidade de sua banda. Perceba quem é que está se manifestando, o que estão falando. Tente entender porque estão lá e não estão falando, se for o caso.</p>
<p>Se você tem uma pessoa que se manifesta sempre em sua comunidade, então você tem o pote de ouro no fim do arco-íris da música. Você tem um fã. Temos sempre que trazer essas pessoas para perto de nosso mundo. Dê sentido e valor as manifestações do público. Convide aquele cara que fala na sua comunidade para assistir um ensaio de sua banda. Acompanhar a gravação de um clipe. Dê um adesivo, disco, camisa, boné, o que quer que seja, que reconheça ele como ator de maior força em sua rede. Esse é o sentido da rede social.</p>
<p>Esse também é o sentido dos negócios criativos. Quem gosta mais de sua música, sempre vai querer ela em um formato especial e exclusivo. E hoje, quem tem bons casos de sucesso na venda de música, é quem conseguiu identificar seu público alvo. E ele está nessas redes, falando sobre você o tempo todo. Por exemplo, a banda Cérebro Eletrônico, de São Paulo, fez uma pesquisa com seu público e percebeu que a maioria deles preferem comprar um disco que baixar a música de graça, se for o disco deles.</p>
<p>Existe, literalmente, centenas de sites que funcionam como redes sociais. Cada marca que tenta se firmar hoje, na internet, tenta fazer isso através de uma. Como a Oi FM, por exemplo, que lançou a Oi Novos Sons. Mas você não precisa se cadastrar no Hi5, Plaxo, LinkedIn, Palco MP3, nem toda santa rede que aparece em sua frente. Cada rede tem uma função. Descubra se ela funciona para você conhecendo como ela funciona e seus exemplos. O importante é você perceber que seu público está presente em todas elas.</p>
<p>Participar dessas redes, mesmo que ativamente, não é suficiente. Isso não isenta você de ter um site da banda, por exemplo. O site oficial é sua representação na rede. Pode ser um blog mesmo, dos mais simples, mas que seja um espaço que reuna todas essas manifestações que você faz online. Um espaço para agregar o conteúdo que é produzido por você e que é produzido também pelo público.</p>
<p>Esse é o ponto crucial dessa nossa conversa. Se o seu público existe, então é certo que ele já está produzindo conteúdo seu, mesmo que você não saiba. E ele não está fazendo isso porque é um desocupado com muito tempo livre. Ele faz isso por que ama sua música. Quem aqui já subiu no palco, com certeza já viu alguém no público levantar o celular e tirar uma foto, fazer um vídeo, tentar gravar uma música.</p>
<p>Não podemos chamar nenhuma manifestação de social se ela for uma comunicação unilateral. Precisamos criar diálogos com os outros atores da rede. Essas fotos e vídeos que o público faz nos shows vai parar nos perfis dele no Orkut, nos álbuns do Flickr. Assim como o que é dito nas comunidades do Orkut e no Twitter. É sempre legal comentar, responder, incorporar.</p>
<p>São essas coisas que geram capital social. Legitimar o esforço do público gera um constante feedback deles ao seu trabalho, porque quando eles verem que tem atenção, vão produzir cada vez mais. E quando isso acontece, você deixa ser um simples ator numa rede maior para se tornar o ponto central em sua própria rede social</p>
<p>Isso não é, de modo algum, um esforço solitário.A construção de sua rede é percebida pelas redes vizinhas. Enquanto você está criando uma boa relação com o público, sua rede passa a integrar com mais prestigio redes maiores. Você ganha legitimação pelo público / e não pela chatice.</p>
<p>Dos exemplos de sucesso, podemos tirar a lição de que hoje é muito mais proveitoso você oferecer boas experiências a partir de sua música, que simplesmente música. É o que tem feito o sucesso de bandas como Casuarina e o samba da Lapa, ou de grupos como o Macaco Bong e os coletivos Fora do Eixo. As apresentações dessas bandas sempre são um convite “venha fazer parte de nossa rede”.</p>
<p>Fazer isso sozinho é muito mais difícil, mas históricamente, a música nunca sobreviveu sozinha. E isso é algo que o mercado independente tem dificuldade em perceber. Faltam selos, faltam gravadoras, associações, coletivos, cooperativas. A maioria dos artistas estão sozinho, fazendo sua música e esperando que algo aconteça sozinho daí. Mas algo só vai acontecer com o esforço reunido desses artistas.</p>
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		<title>CULTURA DOS FANZINES NO FESTIVAL DOSOL 2009</title>
		<link>http://www.dosol.com.br/2009/10/cultura-dos-fanzines-no-festival-dosol-2009/</link>
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		<pubDate>Wed, 28 Oct 2009 09:11:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Foca</dc:creator>
				<category><![CDATA[Agenda]]></category>
		<category><![CDATA[FESTIVAL DOSOL]]></category>
		<category><![CDATA[Matérias Especiais]]></category>
		<category><![CDATA[FESTIVAL DOSOL 2009]]></category>
		<category><![CDATA[LADO R]]></category>

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Foto: Rejects e Vamoz juntos em show promovido por Dosol e Lado [R]
CULTURA DOS FANZINES É INCENTIVADA NA 6ª EDIÇÃO DO FESTIVAL DOSOL
Grupo de fanzineiros do Lado [R] lançam dois trabalhos de uma só vez durante o Festival Dosol 2009
Literatura alternativa, novas idéias, propostas inovadoras, anarquia gráfica e independência editorial e estética. Se fôssemos analisar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.dosol.com.br/wp-content/uploads/VAMOZ+REJECTS.jpg"><img class="alignnone size-medium wp-image-10407" title="VAMOZ+REJECTS" src="http://www.dosol.com.br/wp-content/uploads/VAMOZ+REJECTS-448x583.jpg" alt="VAMOZ+REJECTS" width="365" height="474" /></a></p>
<p><em>Foto: Rejects e Vamoz juntos em show promovido por Dosol e Lado [R]</em></p>
<p><strong>CULTURA DOS FANZINES É INCENTIVADA NA 6ª EDIÇÃO DO FESTIVAL DOSOL</strong></p>
<p><em>Grupo de fanzineiros do Lado [R] lançam dois trabalhos de uma só vez durante o Festival Dosol 2009</em></p>
<p>Literatura alternativa, novas idéias, propostas inovadoras, anarquia gráfica e independência editorial e estética. Se fôssemos analisar de maneira básica o que é um fanzine essas seriam suas principais características. Mas fanzine é muito mais que isso. É na verdade manter vivas as tradições do mercado independente sem a inocência de outrora. Na edição de 2009 do <strong>Festival Dosol</strong> que acontece dias <strong>07 e 08 de novembro</strong> na <strong>Rua Chile, Ribeira</strong> reunindo 31 bandas, toda parte da divulgação do conteúdo dos grupos para o público em geral será feita através de fanzines distribuídos dentro do evento.</p>
<p>O trabalho encabeçado pela equipe <strong>do Lado [R]</strong> é uma continuidade das ações que o <strong>Dosol</strong> e o combo de atividades editoriais realiza durante todo o ano. No conteúdo dos fanzines distribuídos estarão as informações de todos os grupos que vão se apresentar, entrevistas e opiniões. Está será a terceira e a quarta edição do <strong>Errado</strong>, zine de bolso que já circula há três meses pela cidade. <em>“O que queremos é que as pessoas  interajam com esses novos grupos de todas as maneiras. Já temos uma atividade na televisão, no nosso portal e a idéia do zine é entregar ao público fonte de pesquisa das bandas que vão tocar no <strong>Festival Dosol</strong>, depois que os shows acontecerem”,</em> diz <strong>Ana Morena</strong>, produtora do evento.</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="330" height="120" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.dosol.com.br/banner/banner_festivaldosol.swf" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="330" height="120" src="http://www.dosol.com.br/banner/banner_festivaldosol.swf" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p>Confira entrevista com um dos editores do <strong>Lado [R]</strong>, o músico <strong>Rafael F.</strong>:</p>
<p><strong>1 &#8211; Como será o envolvimento do Lado[R] com o Festival Dosol 2009?</strong></p>
<p><em>Então, acompanhamos o festival desde a sua criação. A cada ano participamos de diversas formas, seja tocando, fotografando e  criando conteúdo pra web. Esse ano não poderia ser diferente. Preparamos um guia de bolso iradíssimo para os dois dias do festival. Além do Errado especial Festival Dosol , acredito que sairá uma cobertura audiovisual do evento com a cara e a maliça do [R].</em></p>
<p><strong>2 &#8211; O Lado[R] e o Dosol já fazem coisas em conjunto em algumas produções. Vem mais coisas pela frente?</strong></p>
<p><em>O Dosol é parceiro do Lado[R] desde longa data. Já fizemos um monte de coisas juntas: festas, lançamentos literários, parceria em outras ações. Somos abertos ao diálogo. Quem sabe conversar e chega na roda sem encarnação, pode ser nosso parceiro. Porque não?  Como a moçada do Dosol acha massa as loucuras que realizamos, imagino que a parceria deve rolar por muito tempo.</em></p>
<p><strong>3 &#8211; Como está o conteúdo dos fanzines?</strong></p>
<p><em>Conteúdo doidão, inteligente e fora do convencional. Pelo menos é essa a nossa busca constante. Aí, você pode encontrar de tudo nas páginas do Lado[R]. Na veia corre o velho sangue do “faça você mesmo”. Então, primeiro tem que fazer a nossa cabeça. Se faz a nossa, faz a dos nossos amigos e chegados.  Sempre brincamos dizendo que “fazemos o impresso que gostaríamos de ler”. É bem por ai.</em></p>
<p><strong> 4 &#8211; A cultura do fanzine se identifica com a cultura dos Festivais  Independentes?</strong></p>
<p><em>Tem tudo a ver. O que seria do rock sem os fanzines? Quando os fanzines explodiram no mundo todo, o rock foi a trilha sonora para a destruição. Não sei muito bem como está esse lance todo de festival independente. E o que é ser independente hoje? Eu sou super dependente, sabe. Dizem que tem uma galera fazendo o nome, né? Se o mesmo acontecesse </em>com os fanzineiros <em>que circulam e divulgam esses festivais, seria massa. Distribuição de renda é uma coisa importante para a América Latina. hehehe</em></p>
<p><strong>5 &#8211; Quais os próximos passos do Lado[R]?</strong></p>
<p><em>Lançar a edição nove do fanzine. Que deve sair com cds encartados de duas ótimas bandas de rockn´roll da cidade.  Mais um Errado daqui pra o final do ano. Alguma peripécia audiovisual. No resto é esperar o verão chegar pra cair na estrada rumo a Chapada Diamantina. E que venha 2010.</em></p>
<p><em> </em></p>
<p>Os ingressos para o <strong>Festival Dosol 2009</strong> já estão a venda nas Lojas Spicy do Natal Shopping e do MidWay Mall com preços promocionais de R$20,00 individual e R$30,00 a casadinha pros dois dias do evento.</p>
<p>O <strong>Festival Dosol 2009</strong> tem patrocínio da <strong>Oi</strong> através da <strong>Lei Estadual Câmara Cascudo</strong> e Governo do Estado e apoio do <strong>Praia Mar Hotel</strong> e <strong>Holiday In</strong> através do programa Djalma Maranhão de incentivo a Cultura. Também apóia a iniciativa o <strong>Oi Futuro</strong>. Todas as informações e escalação completa do evento pode ser conferida no portal <a href="../">www.dosol.com.br</a> .</p>
<p><strong>SERVIÇO</strong><br />
O que? Festival Dosol 2009<br />
Onde? Rua Chile, Ribeira, Natal/RN<br />
Quando? Dias 07 e 08 de novembro a partir das 15h<br />
Quanto? R$20,00 ingresso individual e R$30,00 para a casadinha dos dois dias.<br />
Ponto de Venda? Lojas Spicy, Natal Shopping e Midway Mall.<br />
Informações? 3642-1520 ou <a href="../"><em>WWW.dosol.com.br</em></a></p>
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		<title>BRUNO NOGUEIRA (PE): PERIFERIA CONECTADA</title>
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		<pubDate>Mon, 26 Oct 2009 10:22:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Foca</dc:creator>
				<category><![CDATA[Bruno Nogueira]]></category>
		<category><![CDATA[Matérias Especiais]]></category>

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		<description><![CDATA[
A palavra “sucesso” se tornou um dos verbetes mais complexos do vocabulário da indústria do entretenimento nos últimos 20 anos. Sem os parâmetros tradicionais que antes elencavam um artista, cada um encontrou maneiras diferentes de eleger – além da estética da própria música, claro – quem está ou não em destaque. Uma das saídas mais [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.dosol.com.br/wp-content/uploads/LANBAHIA.jpg"><img class="alignnone size-medium wp-image-10344" title="LANBAHIA" src="http://www.dosol.com.br/wp-content/uploads/LANBAHIA-448x334.jpg" alt="LANBAHIA" width="448" height="334" /></a></p>
<p>A palavra “sucesso” se tornou um dos verbetes mais complexos do vocabulário da indústria do entretenimento nos últimos 20 anos. Sem os parâmetros tradicionais que antes elencavam um artista, cada um encontrou maneiras diferentes de eleger – além da estética da própria música, claro – quem está ou não em destaque. Uma das saídas mais honestas parece ter sido a da mídia tradicional de dar mais atenção ao próprio público e onde eles estão clicando na internet em buscas de novidades. “Parece”, porque em termos concretos, a mídia parece estar sempre atenta ao público errado.</p>
<p><span id="more-2434"> </span></p>
<p>Um dos melhores exemplos é o da cantora paulista Mallu Magalhães, que sempre aparece nas matérias de revistas precedida de “fenômeno da internet” por ter conseguido somar 1 milhão de visitas em sua página no MySpace em nove meses. Nada mal, de fato, mas pouco se considerado que bandas como a baiana Parangolé ou a dupla MC Bill e Bolinho conseguem duas vezes mais acessos em menos da metade desse tempo. Ao contrário do retrato feito em matérias, a periferia é muito mais conectada que o centro.</p>
<p>Diretor do Centro de Tecnologia e Sociedade da Fundação Getúlio Vargas, o professor Ronaldo Lemos sempre pontua suas idéias sobre o assunto com o dado de que “as classes A, B e C são apenas 15% da população no Brasil”. Segundo ele, que é co-autor do livro Tecnobrega – O Pará Reinventando o Negócio da Música. “Quando vemos um YouTube e Redes P2P sendo usadas por artistas da classe A e B, vemos inovação; mas quando a gente vê a periferia usando essas ferramentas, pensamos pirataria, mal gosto e uma série de defeitos”, diz.<span id="more-10343"></span></p>
<p>Ronaldo Lemos é um dos responsáveis pelo “Projeto Lan-House”, que a FGV está desenvolvendo em Salvador e outras capitais do país. ”Nosso projeto é ajudar os donos desses espaços a dialogar com um mercado formal, para evitar pressões de grupos como polícia, bombeiros, etc”, explica o professor. Segundo o Comitê Gestor da Internet no Brasil, cerca de 68% dos acessos a internet no Norte e Nordeste do país em 2008 partiram de lan-houses. É lá que artistas como o Parangolé, Pagodart e Desejo de Menina são acessados diariamente por pessoas que nem necessariamente usam computador.</p>
<p>É o caso da empregada doméstica Maria das Graças Galvão, de 41 anos de idade. Ela não tem, nem nunca usou um computador, nem sabe como as coisas funcionam na internet. Mas ela, que mora na Boa Vista do Lobato, comprou um player MP3 simples por R$ 120. “Parcelei em 12 vezes”, conta, sem esconder o riso de quem acha a situação engraçada. Graça, como é chamada pelas amigas, visita uma lan-house pelo menos duas vezes por mês para recarregar o aparelho com músicas. “Eu só digo a eles que quero mais românticas ou então dançante, não escolho as bandas”, conta. No entanto, ela não se faz de vítima “eu escuto antes de pagar, se não gostar, falo para trocar tudo”.</p>
<p>O dono da lan-house onde Graça recarregava as músicas cobra R$ 20 pelo serviço e tem medo que, se identificar seu negócio em um jornal, possa ter que fechar o lugar. “Eu gravo música até para amigos que são policiais, eu sei que não são eles que vão fazer isso, mas se sair em um jornal assim, o pessoal vai querer arranjar problema”, se defende. Quando perguntado quem seriam as pessoas, ele não responde as gravadoras, mas “os artistas, né?”. Segundo ele, a principal fonte para o download de música está no orkut.</p>
<p>Mas, ao contrário do que pensa, os artistas não se incomodam com a divulgação espontânea. Diferente de artistas de gravadoras, que tem um departamento inteiro para pensar em ações na internet, a divulgação de bandas como Calypso e Parangolé partem quase que totalmente dos fãs. “Se eu faço um show de tarde, chego em casa de noite e já tem tudo no YouTube”, diz Léo Santanna, vocalista do Parangolé. “A gente não pede, nem fala nada em relação a isso, é uma coisa dos fãs mesmo”, conta ele que é fanático confesso em ficar conectado na rede.</p>
<p>Os números do Parangolé são bem impressionantes. Eles tem cerca de 750 comunidades, algumas com mais de 60 mil usuários. Todas criadas, mantidas e movimentadas pelos fãs. “Tem até perfil falso meu, que as pessoas criam tentando enganar os outros”, conta o músico que assinou contrato com a gravadora Universal em julho, graças a essa movimentação toda. Segundo Ronaldo Lemos, “os artistas mais populares do Brasil hoje são lançados nessas redes que não dependem mais da mídia tradicional”.</p>
<p>A periferia conectada não está nas redes sociais da moda, como o MySpace ou Facebook. Uma pesquisa que a Fundação Getúlio Vargas nas lan-houses mostrou que o público usa mais o Orkut e o site Flogão. “Essa diferença no uso dos espaços não vem nem da internet, mas de um sentimento de pertencimento, de querer agregar a pessoas que são parecidas com você. Além do fato dos sites serem em inglês contribuírem para isso. Parece que não faz diferença nas classes A e B, mas na prática faz muita diferença sim”, explica Ronaldo Lemos.</p>
<p>A comunicação multilateral das redes sociais não é o único espaço onde estão essas músicas. No caso do pagode baiano, por exemplo, existem sites como o “Júnnior do Cavaco”. Foi criado a cinco anos, quando seu fundador que dá nome ao espaço se mudou para São Paulo e não queria ficar distante da música que gosta na Bahia. Hoje, tem uma equipe de quatro pessoas e lá está o acervo disponível para download de praticamente todo o novo pagode baiano. “A internet está ai para todos”, comenta Edy Bateya, diretor de mídia do site, “somos acessados em lan-houses, no trabalho, isso facilitou demais o trabalho”.</p>
<p><strong>Questão de gosto</strong> | Um dos maiores alarmistas da nova sociedade em rede, o autor londrino Andrew Keen, não vê essas transformações com otimismo. Em seu livro “O Culto do Amador”, ele afirma que sites como o Orkut e YouTube nivelam a produção cultural por baixo, criticando que a música apresentada lá em nada se assemelha com uma suposta qualidade que seria garantida pelas gravadoras. Ele defende a posição dos editores, que fazem a triagem e modelam o que deve ou não ser apresentado ao público, em favor das pessoas publicarem livremente qualquer música na internet.</p>
<p>“A visão dele é bastante simplista”, comenta Ronaldo Lemos, que também representa no Brasil a organização não-governamental Creative Commons, que procura criar maneiras para artistas licenciarem suas obras sem precisar passar pelas gravadoras. “A questão da qualidade, antes, com a mídia tradicional, fazia algum sentido. A mídia fazia o papel de árbitro do gosto, mas isso não existe mais hoje”, defende. Segundo o professor, que também era curador do Tim Festival, a qualidade hoje é reflexiva e precisa ser analisada a partir do contexto social em que se pertence.</p>
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		<title>REFLEXÃO: MÚSICA AINDA É PROFISSÃO?</title>
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		<pubDate>Tue, 13 Oct 2009 08:49:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Foca</dc:creator>
				<category><![CDATA[Matérias Especiais]]></category>

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		<description><![CDATA[
Foto: Macaco Bong &#8211; Música e paixão
O valor que essa gente bronzeada tem.
(escrito para o Guia da Produção Cultural 2010 do Edson Natale e da Cris Olivieri)
Se eu estivesse começando a carreira hoje, prestaria atenção em algumas coisas que podem fazer a diferença entre profissão ou passatempo. Como todo conselho dos mais velhos, pode ser [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.dosol.com.br/wp-content/uploads/macaco-bong1.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-9243" title="macaco-bong" src="http://www.dosol.com.br/wp-content/uploads/macaco-bong1.jpg" alt="macaco-bong" width="448" height="223" /></a><br />
<em>Foto: Macaco Bong &#8211; Música e paixão</em></p>
<p><span style="font-weight: bold;">O valor que essa gente bronzeada tem.</span></p>
<p><span style="font-style: italic;">(escrito para o Guia da Produção Cultural 2010 do Edson Natale e da Cris Olivieri)</span></p>
<p>Se eu estivesse começando a carreira hoje, prestaria atenção em algumas coisas que podem fazer a diferença entre profissão ou passatempo. Como todo conselho dos mais velhos, pode ser interpretado apenas como &#8211; preste atenção!</p>
<p>1) Música como um serviço, como a gastronomia, a fabricação de vinhos ou roupas. As pessoas que consomem este serviço são chamadas de &#8220;público&#8221;, em vez de &#8220;clientes&#8221;. Esta é uma relação simples e direta, artista e seu público. O público, se gosta, entra na cadeia produtiva e acha uma forma de pagar para consumir, para fruir e se deliciar com sua música, pagando por ingressos, comprando discos, CDs, LPs, downloads ou músicas no celular, tanto faz. Não fará mal nenhum ao artista que inicia sua carreira lembrar-se disto e assim buscar seu público, trata-lo com carinho, e descobrir a maneira como seu público irá recompensa-lo financeiramente. O conceito principal é que haverá uma troca: sua arte, seu trabalho, pelo seu sustento e mais um pouco. Quem paga a conta é o público.</p>
<p>2) Como fazer negócio? Depois de 100 anos de um certo modelo unico que servia para todo mundo, consagrado pelo nome &#8220;gravadora&#8221;, quando este modelo fracassa pelo desgaste tecnológico, pela mudança de costumes e habitos, enfim se desmancha de velho e gasto, é normal e compreensivel que os artistas da música sintam falta de uma estrutura comum a todos, algo que simplificava a venda, na verdade tirava de perto do músico o &#8220;caixa&#8221;, o trabalho comercial. Pior, neste momento, 2010, ninguem sabe como fazer funcionar como negócio essa troca entre público e artista. Cada caso é um caso, não há método nem vale a experiencia. Não é uma questão de dinheiro, de empresas que sabem o que fazer, de caçadores de talento, curadores ou padrinhos. O que funciona para um pode funcionar apenas para ele. Portanto, faça o que o seu nariz manda voce fazer. Seu negócio, entendeu? Uns vão procurar distancia do trabalho comercial e vão delegar para vendedores, empresarios, agentes, produtores. Ok, não é má idéia, é preciso tempo para ensaiar e compor, mas não perca o controle de qualidade, será o seu público, não deles. Certas pessoas tem este talento comercial e gostam da música e do seu ambiente, junte-se a eles, mas é preciso manter pulso firme para que os conceitos comerciais não determinem o rumo artistico. Mostre quem manda, a arte; mesmo que se percam algumas oportunidades, virão outras. Se em seu caso voce quer apenas tocar e não quer se preocupar com esse controle, essa responsabilidade, muito bem, sempre se pode conseguir emprego numa banda, numa orquestra e seguir o lider. Boa sorte e estude também para algum concurso público. Para seguir uma carreira na música é preciso lidar com estas responsabilidades e inseguranças, acreditar que irá conseguir criar um público a partir de sua arte, de sua maneira de ver o mundo e de usar a música para se expressar, inclusive até com letra. Crie seu negócio a partir do que voce enxerga na sua frente, seu público.<span id="more-10088"></span></p>
<p>3) Um dos enigmas que voce terá de resolver, é o comportamento da tele-horda, essa multidão incontavel e invisivel que se conecta, diz algumas palavras, copia o que quer e some, sem deixar rastros ou contribuição. São o seu público, de forma sutil e esgarçada, mas suficiente para conversarem entre si e gerar reputação de forma melhor que a grande e velha midia. Um boca a boca se espalha e cria pautas, cenas, tendencias. A tele-horda, autonoma e sem cabeça é poderosa na hora de gerar público para seu espetáculo, a melhor ferramenta de convencimento. Esta é a maravilha, a tele-presença, estar com eles, participar das conversações todas, no twitter, no orkut, onde eles estiverem. Alimente-os com músicas, remixes, fotos, textos, narrativas de viagem, opiniões, o tempo todo. Trate-os como individuos que gostam do que voce faz, agradeça a gentileza. Eles se materializarão na sua frente, com uma nota de 50 na mão, querendo ter um pedaço seu de lembrança.</p>
<p>4) Isto é o começo e se voce fosse um Joào Gilberto ou um Roberto Carlos hoje, poderia contar com a sorte de ter um talento extraordinario. Mas sabemos que os talentos extraordinarios são obvios só depois, muito depois. Portanto, agora rale! Quer saber o caminho para chegar ao Auditório Ibirapuera? Ensaie, ensaie e ensaie. Esta resposta não é minha. Há uma constatação de que após 10.000 horas de prática não se percebe diferença entre o genio que nasce com o dom e o teimoso que persistiu, ambos demonstram o mesmo talento superior adquirido com as horas de estudo, repetição e atenção. Rale sem pensar em parar.</p>
<p>5) O que fazer com os direitos autorais nesse mundo em transformação? Boa pergunta e voce terá tambem de achar esta resposta voce mesmo. Dizem que artistas sempre viveram do seu trabalho e não de sua obra. Outros vivem de sua obra, ganham para representa-lo. Na prática o direito autoral está na mão de terceiros. Mas não deixe isto o afastar de nenhuma possibilidade de conseguir algum dinheiro pelo ECAD ou por alguem que o represente na hora de negociar trilha de filme ou de comercial, musica pelo telefone ou qualquer outra modalidade de uso da obra que venha a ser inventada, onde se vende um pacote grande, onde entra um dinheiro. O direito autoral é interessante quando consegue transações maiores. Mas lembre-se de seu público e sua relação de amor intenso e desinteressado, não queira cobrar de seu público pelo desejo em ouvi-lo, não deixe que alguem pense em punir seu público, chama-los de piratas, essas coisas sem noção, jamais. Junte-se a pessoas capazes de entender isto na hora de escolher quem vai representa-lo. Cobrar de quem tem interesse comercial. Talvez seja necessario estudar um pouco sobre isso, para ter uma opinião própria, em breve será necessario mudar as leis que regem o Direito Autoral para adapta-lo a esta nova realidade e voce será chamado a dizer qual a sua posição a respeito. Por via das dúvidas, não perca o controle de sua obra, garanta que voce pode despedir seu representante para cobrança dos direitos autorais quando quiser.</p>
<p>6) Andar em bandos é saudavel e construtivo. Fazer juntos, de forma colaborativa, para conseguir vantagens para todos. Aprenda a fazer isto com a menor estrutura possivel, sem engessar, criar instituições, essas coisas. Não é mais necessario ter sede própria com piscina ou fazer assembleia para conseguir unir as pessoas com as mesmas idéias, definir uma agenda de trabalho e mandar ver, trazer cada um sua parte no mutirão. Os coletivos realizam de forma natural e simples, com a ajuda destas coisas que chegaram agora, os lugares compartilhados na nuvem, os meios de comunicação gratuitos, as redes sociais. A música, especialmente, se beneficia muito, porque se constroi e gera riquezas e empregos a partir apenas de pessoas, de criatividade, de conteudo, a partir de conversas, encontros, interação. Tudo isso é o que rola e circula pela rede e nas ferramentas, aproveitem bem.</p>
<p>7) Seja local para ser global, não é isso? Busque todos os recursos que podem existir no seu pedaço. Aproveite que ninguem mais sabe o que fazer com as radios e invada! Vá frequentar as radios e insista para que toquem sua música. Use as redes sociais e crie ondas para ligarem para o telefone das radios, azucrinarem se tiverem twitter ou orkut, fazendo pressão para tocar suas músicas para seu público. Será uma vitória de seu fã clube! Com os jornais, a mesma coisa, descubra quem conhece os jornalistas, leve-os para seu palco onde ferve, mostre a verdade que existe entre voce e seu público. É necessario que sua cena, o seu bando, os coletivos que voce pertence, todos ocupem estes espaços. Voces são as estrelas do seu bairro, os artistas de sua comunidade, os que irão mostrar ao mundo, depois disso, o valor que essa gente bronzeada tem.</p>
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		<title>BRUNO NOGUEIRA (PE): CASSIM E BARBÁRIA</title>
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		<pubDate>Thu, 30 Jul 2009 09:56:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Foca</dc:creator>
				<category><![CDATA[Bruno Nogueira]]></category>
		<category><![CDATA[Matérias Especiais]]></category>

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		<description><![CDATA[
De: Florianópolis – SC
Selo: Midsummer Madness
Para quem gosta de: Tropicalismo, experimentalismo e krautrock. Não dá mesmo para citar bandas iguais.
Cassiano Fagundes não acredita na banda do momento. O que é uma grande irônia, porque o grupo que ele montou quando se mudou de Curitiba para Santa Catarina é o nome da vez, aquela banda que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.dosol.com.br/wp-content/uploads/cassim01.jpg"><img class="alignnone size-medium wp-image-8880" title="cassim01" src="http://www.dosol.com.br/wp-content/uploads/cassim01-448x248.jpg" alt="cassim01" width="448" height="248" /></a></p>
<p><strong>De</strong>: Florianópolis – SC<br />
<strong>Selo</strong>: Midsummer Madness<br />
<strong>Para quem gosta de</strong>: Tropicalismo, experimentalismo e krautrock. Não dá mesmo para citar bandas iguais.</p>
<p>Cassiano Fagundes não acredita na banda do momento. O que é uma grande irônia, porque o grupo que ele montou quando se mudou de Curitiba para Santa Catarina é o nome da vez, aquela banda que todo mundo gostaria de ter previsto que iria acontecer em 2009, mas que ninguém conseguiu. Cassim e Barbária nasceu das músicas que ele criava e não entravam no perfil do seu outro grupo, o Bad Folks, e um convite de Rodrigo Lariú para que ele montasse uma banda para fazer shows com esse novo repertório. “Tenho uma fixação por Krautrock desde 1999 e tinha tentado misturar rock experimental alemão com a tropicália e o soul. Em pouco tempo, pessoas que eu admirava no mundo da música começaram a elogiar”, conta Cassiano, sobre as músicas que subiu em seu MySpace. “Gente como Adam Franklin do Swervedriver, por exemplo”.</p>
<p>Sua banda é um time dos sonhos do experimental brasileiro. É formada pela figura quase lendária do Zimmer, que além de tocar nos Ambervisions, passa parte do tempo com uma máscara de luta livre e um Teremim dos infernos (literalmente), na dupla ABesta, junto com Suzuki Bata. Eles estão juntos com Márcio Silva, que estudou música com um discipulo direto de John Cage, XuXu e MLeonardo da Pipodélica, uma das responsáveis por transformar Floripa no destino da chamada “música livre” e experimental no Brasil. “Aqui tem um ar de fronteira, onde tudo é possível, talvez por isso o noise esteja tão em voga por aqui. São muitos músicos, estudantes de arte e música fazendo som com chaleira, oscilador de frequência, é uma cena muito interessante e inusitada”, relata o músico.<span id="more-8879"></span></p>
<p>Apesar das referências e do relato, a música do Cassim e Barbária tem uma construção pop que não vai afugentar o ouvido preguiçoso. Essa é, sem sombra de dúvidas, uma das bandas mais criativas e interessantes a surgir nos últimos dois anos nesse cenário independente nacional. “Cassim é um nome árabe e Barbária, o norte da África, é de onde vieram os piratas mais destemidos e aventureiros da história, que fundaram antros como Salé, no Marrocos. Eu já tinha esse nome desde 2001. Gosto muito de piratas”. Nessa levada, a banda já passou pelo South by Southwest, Canadian Music Week e foi o artista nacional – entre os independentes – que fez a maior turnê lá fora esse ano. A entrevista abaixo fala um pouco disso tudo.</p>
<p><strong>Essa turnê rápida na América do Norte serviu para vivênciar um pouco mais da tarefa difícil de viver de música. Valeu a pena? Vocês pretendem voltar a investir nesse mercado lá de fora?</strong></p>
<p>Foi uma tour de 35 dias, então nem foi tão rápida assim. Rodamos 11Mil KM numa van, por 17 estados americanos e duas províncias canadenses. Nenhuma outra banda brasileira que tocou no SXSW 2009 fez isso. Valeu muito a pena. É o que mais vale a pena. Nosso foco é esse: viajar. Sem essas viagens, acho que nem faríamos essa banda.  Não importa se é no Brasil ou nos EUA, o importante é viajar. Acontece que no final das contas, a logística de uma tour em outro país acaba sendo mais fácil de ser executada e em alguns casos o investimento financeiro é até mais baixo, ou se não é, compensa mais. E como o pessoal de países como EUA e Canadá parece ter entendido nossa piada, decidimos nos focar nisso.</p>
<p>Mas é aquela coisa: você toca pra 30 pessoas totalmente em sintonia com você. Não é super sucesso de vendas, tipo Bonde do Rolê ou CSS. Nós vemos o que fazemos como nossa vida, não é algo feito para passar como um cometa, algo passageiro, tipo “o tempo está passando, vamos lá, vamos apostar todas as fichas e se não rolar, fudeu”. Eu me espanto um pouco com artistas com muita fome pelo sucesso, especialmente um artista independente. Ainda mais porque sucesso é totalmente relativo. Não é por aí. O David Lynch disse que demorou 3 anos pra fazer Eraserhead, ele tinha muito medo de que o tempo passasse, o mundo passasse e ele e seu filme ficassem pra trás. Quando percebeu que era um artista fazendo algo em que acreditava, percebeu que o tempo e o mundo nunca passariam. Boa arte tem que ser atemporal.</p>
<p>Ainda não chegamos lá, mas é o que buscamos. Fazemos música pra quem gosta de música, acima de tudo, pra quem não se importa com hype, ou com MTV ou com a banda cool do momento. Apesar de eu ser consumidor ávido de todo tipo de música, inclusive do que é hype, não é isso o que quero fazer musicalmente. Acho que tenho um trabalho autoral e sempre tentarei fazer as coisas do meu jeito,e  agora, do nosso jeito. E como gosto muito de viajar, de conhecer pessoas, lugares, dividir o palco com bandas que não conheço, vamos fazer de tudo pra tocar pelo menos uma vez por ano nos EUA e Canadá e quem sabe na Argentina, Europa, Japão e pra onde conseguirmos ir.</p>
<p><strong>E em relação ao Brasil? Alguma chance dessa banda ocupar mais espaço que as bandas originais de vocês, devido a repercussão que passou a ter agora? Quais os planos de vocês para a banda aqui?</strong></p>
<p>Nós queremos tocar bastante no Brasil, mas como eu disse, essa fome pelo sucesso, esse jeito “media-friendly” das bandas de hoje não é bem nosso negócio, apesar de não dizermos não para boas oportunidades de aparecer, é claro. O Zimmer por exemplo, gosta muito de aparecer. Não sei no que isso vai dar, mas o que queremos é desenvolver um trabalho juntos, quando digo juntos eu incluo as pessoas que gostam de nosso som, nosso público. Cassim e Barbária é uma banda-pai de outras coisas como Barbária, mais experimental, Cassim (eu e o Isaac Varzim), o solo do Xuxu, etc, e temos produzido muita música, muitos encontros musicais, coisas do tipo. Mês passado tocamos com o Damo Suzuki do Can, num evento de música livre promovido pelos caras, mais o Peter Gosweiler (Colorir). Nós estamos vendo que algo está nascendo em Floripa, são vários caras querendo sair da mesmice sonora, eu acho um privilégio estar aqui agora, no meio disso tudo.</p>
<p>Vamos lançar esse ano um DVD, um vinil, mais vídeos (O Peter Gosweiller acaba de fazer 2), shows com outros artistas. Eu pessoalmente quero que o rock independente no Brasil volte a ser independente. Hoje, o indie tem a mesma postura de banda major, e a mídia que nasceu para ser uma alternativa aos grandes veículos também. O indie acabou sendo seduzido pelas mesmas regras de consumo rápido, a música como um produto com validade, e rola até o famoso jabá no indie nacional, o que é totalmente errado.</p>
<p>Nós queremos ser uma banda verdadeiramente independente, não queremos fazer esse jogo, nós já estivemos nisso antes, e é um ambiente muito duro e sacana, e no fim das contas, se você faz as coisas só pensando em aparecer na MTV e no blog do hype e nos festivais legais, pode se decepcionar, ou acabar fazendo algo com data pra expirar. Nossa história é fazer música a longo prazo.</p>
<p><strong>A formação da banda traz gente que já fez todo tipo de som louco e que já viu a programação de muitos festivais. Queria uma reflexão disso tudo… o que vocês acham que é a música brasileira hoje?</strong></p>
<p>A quantidade de música sendo feita é impressionante. Talvez hoje a cena realmente esteja se tornando horizontalizada, já que os meios para se aumentar o alcance de sua música estão à disposição de todos. Pelo menos em teoria. Mas acho que ainda há um conservadorismo muito grande, o que mais vejo é repetição de fórmula e promoção de fórmulas consagradas por parte da mídia (até mesmo a alternativa). Por outro lado tem muita gente desenvolvendo trabalhos com muita personalidade. Acho que o mundo está cheio de música boa, e o Brasil então, é um solo fértil. Eu sou roqueiro até a alma, mas estou cada vez mais aberto a outros tipos de música. E de certa forma, o Brasil também.</p>
<p>Mas acho importante o independente retomar a postura independente. Não estou falando em radicalismo à la Fugazi. Temos que aprender como ganhar dinheiro sem abrir mão da independência. É algo difícil de se conquistar, mas não impossível. Hoje você vê artistas se equilibrando entre esses mundos: gravando e lançando por gravadora independente e se promovendo no meio independente, mas ao mesmo tempo usando a grande mídia. Acho isso válido. O que não é válido é se vender. É fazer o grande jogo, é entrar no esquema dos jabás e se tornar mais acessível só para aparecer. Acho que falta um pouco esse senso crítico no Brasil. Por outro lado, não vou julgar ninguém por ter optado fazer de tudo para viabilizar a difícil escolha de se viver de música no Brasil.</p>
<p><strong>E ainda sobre isso acima, o que vocês sentem que está fazendo falta? Tanto em termos de sonoridade quanto de mercado?</strong></p>
<p>É o que eu disse aí em cima. Precisamos ter mais coragem, tanto pra criar nossa música mais livres das amarras do mercado internacional quanto para gerenciarmos nossas carreiras de uma forma mais independente. Precisamos também aprender a conseguir dinheiro do governo para viabilizar nossa música. O dinheiro que está lá não vem de nossos impostos? nada mais justo.</p>
<p><strong>O Governo de Santa Catarina apoiou exatamente o que? O disco? A turnê? É fácil para bandas do sul conseguir esse tipo de apoio?</strong></p>
<p>O Governo de Santa Catarina apoiou nosso DVD, que faz parte de nosso projeto de tour, por isso, dá pra dizer que apoiou nossa turnê. Vejo aqui uma disposição do governo em ajudar os artistas. Não sei se nos outros estados do sul é assim também, mas em Santa Catarina é o que parece. É um estado com um grande potencial artístico, mas está totalmente fora do eixo, até mesmo fora da articulação que alguns estados fora do eixo tem feito para driblar o lado ruim de se estar na periferia do eixo Rio-SP. Acho que alguns setores da sociedade aqui estão percebendo que vale a pena investir na arte e na cultura, porque tem coisas incríveis acontecendo que são reconhecidas em lugares como China e EUA, mas no Brasil poucos sabem disso. Até mesmo em SC poucos sabem disso. Tem 2 ou 3 projetos catarinenses de música experimental rodando o mundo, então o Governo começou a perceber que tem um ambiente interessante pra esse tipo de coisa. Além disso, o rock/pop e eletrônica tem uma vertente forte aqui, como o Clube da Luta, que é uma festa semanal de bandas e artistas que cresceu muito. Esses dias fomos lá e ficamos surpresos ao ver 150 pessoas cantando em coro todas as letras de bandas locais como o Aerocirco.</p>
<p>Sou de Curitiba e sei que lá esse tipo de coisa é mais difícil de acontecer. Agora até acontece, mas demorou, por muito tempo, Curitiba e Floripa foram cidades provincianas, onde o público não valorizava nada que não viesse de fora, uma espécie de bairrismo às avessas. Aqui, parece que o público dos artistas “da terra” está crescendo exponencialmente. Mesmo que eles não toquem nas rádios, ou apareçam na televisão. É o efeito da democratização das ferramentas, da internet, etc, eu acho. Mas também é algo mais. Hoje todo mundo quer ser artista, e de certa forma, todo mundo é. Ao menos aqui em Floripa.</p>
<p><a href="http://www.popup.mus.br/wp-content/plugins/download-monitor/download.php?id=31" target="_blank">CASSIM E BARBÁRIA &#8211; READY EP</a> (DOWNLOAD FREE)</p>
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