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Notícias

SONHAR NÃO CUSTA NADA…

19.08.2008 | 20h36 por Foca | Site do Autor

…estamos alimentando os nossos. Entendam como quiserem! :)

THE DONNAS - DON`T WAIT UP FOR ME
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DANKO JONES - FIRST DATE
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MUDHONEY - SUCK YOU DRY
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IRON MAIDEN - THE NUMBER OF THE BEAST
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E se rolasse em Natal alguém assim num festival de rock n`roll? Seria um sonho né? Melhor sonhar e tentar do que morrer frustado. Rock e música é bem por aí!

Muito bem. Chegou a hora de começarmos a falar mais do Festival Dosol 2008 que vai acontecer dias 01 e 02 de novembro na Rua Chile, Ribeira. Já andamos confirmando bandas por aqui e cada vez mais mandaremos notícias so bre a edição deste ano que realmente promete. Num formato semelhante ao ano passado, o Festival Dosol acaba de confirmar os pauliats do Forgotten Boys para este ano. A banda faz seu quarto show em Natal e vem lançar o cd “louvadeus” que acabou de ser lançado.

Sem dúvida um dos melhores shows do rock alternativo nacional recomendado para quem gosta de guitarras, Mc5, stones e afins. Festival Dosol 2008 tem patrocínio do Oi Futuro e apoio da Trama Virtual. Confira os Forgotten Boys no “12 horas de estúdio da Trama” gravando a música “Sem Razão” e o clip do sinlge “Quinta-Feira“.

FORGOTTEN BOYS - 12 HORAS DE ESTÚDIO
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FORGOTTEN BOYS - QUINTA-FEIRA
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Se na quinta não teve problema algum técnico, na sexta a coisa mudou.  Que o digam Poliéster e Curumim. Mas nada muito grave. Já no quesito qualidade, inovação, relevância etc etc etc a noite apresentou algumas bandas fracas.

Quando cheguei ainda peguei o fim da apresentação da local THE VOLTA com “Enter Sandman”, do Metallica. Vocal, instrumental, tudo levado a sério. Só que mal executado. O peso das guitarras é calculado para ficar entre pesado e pop rock.

O LUNARES também é local e fez uma apresentação boa. O som do trio tem bastante influência de U2, Coldplay e bandas do gênero. Letras em português e instrumental bem afiado contando ainda com programações para suprimir a falta de músicos. O ponto negativo foi a demora entre uma música e outra com troca de instrumentos. Outra coisa que melhoraria a apresentação seria reduzir a distância entre os músicos - o palco ficou muito grande, observação pertinente de Vlamir Cruz. Mas esses pequenos “problemas” não comprometeram. Já a valsa de Rodrigo com a guitarra foi motivo de riso para muitos.

SUBAQUÁTICO veio da Bahia e a única coisa que me fez prestar atenção no show foi a versão para “Prioridades”, de BNegão e Os Seletores de Freqüência. Não deixará saudade.

POLIÉSTER veio do Rio Grande do Sul e não sorve rock sessentista. Muito pelo contrário, as influências são modernas, rock dançante, pop, com elementos eletrônicos e um vocalista que alternava timbres graves e agudos. Fez alguns dançarem, pra mim não acrescentou nada.

A SÍNTESE MODULAR reúne dois músicos que fizeram parte de boas bandas no cenário local: Adriano Azambuja e Isaac Ribeiro. Fizeram - a atual não agradou. É um som sem sal que mistura pop com elementos eletrônicos. Muitos questionaram a presença do grupo no festival devido a sua pouca idade. Outros apostavam que após o MADA ela deixará de existir. Veremos. Preferia que tivesse tocado o DuSouto.

CURUMIM teve os piores problemas da noite, atrasando a apresentação. Quando começou foi se entrosando aos poucos com o público. Se tivesse mais meia hora de show era capaz de sair ovacionado. No entanto a apresentação foi morna, com altos e baixos. Destaque para “Feira de Acari”. Nem lembro de que novela essa música fez parte da trilha, mas na hora lembrei de boa parte da letra. O trio fez um show misturando pop e samba-rock com letras sarcásticas e irônicas.

O AUTORAMAS teve a tarefa de entreter o público antes do Pato Fu. Missão difícil. Mas conseguiu com um misto de músicas rápidas e baladas. Sem muita conversa Gabriel, Bacalhau e Flávia fizeram muitos dançar, cantar e até bater cabeça. A apresentação ainda é a mesma de alguns anos, com as mesmas coreografias e quase o mesmo set list.  Poderiam ter acabado com mais uma música, mas Gabriel preferiu agradecer e encerrar.

PATO FU entrou com jogo ganho. O público que até então esboçava reagir, acordou de vez com a banda que ano após ano se renova. De Rotomusic de Liquidificapum até Daqui pro Futuro há qualidade. Se antes eles investiam em misturas que causavam estranheza, já faz tempo que o pop tomou conta da banda e ela só tem ganho com isso. Some-se a isso carisma, personalidade, qualidade, segurança e o que se viu foi um show de músicas novas e clássicos, como “Capetão”, com direito a luz vermelha no rosto de Fernanda Takai, voz alterada e chifrinhos vermelhos acesos. Tantos anos sem vir a Natal criou alta expectativa - correspondida.

LOBÃO entrou ao som da história de Chapeuzinho Vermelho nos alto-falantes. Ri demais. O show animou tanto quanto o do Pato Fu. Com 14 discos lançados, muitos eram os hits. E o público cantou junto.

VInDA ESTRÉIA EM EP

19.08.2008 | 8h06 por Foca | Site do Autor

O projeto do potiguar Vinicius Dávilla (Ex-Uskaravelho e Astronautas) gravado aqui no Estúdio Dosol em Natal ganha as ruas com um ep. Acompanhem texto do jornalista do Jornal do Brasil Ricardo Schott sobre o trabalho:

“Qualquer uma dessas músicas do ep, de cara - pelo menos se o mercado, que tem andado meio bunda mole no que diz respeito a banda novas, resolver dar espaço para um cara novo, Vini D’Ávilla, que iniciou sua carreira em Natal(apesar de ser baiano), passando por algumas bandas, sendo a última os Astronautas, e que agora se lança no Rio, e no Brasil, com sua nova banda VInDA.

Com um som que faz falta no rock atualmente. Pesado sem assustar, e trabalha na sempre complicada união de boas canções com guitarras pesadas, em músicas como “Contra o tempo”, “CDC” e “Viver”, rock´n roll de rádio como há muito não se fazia, aludindo a um rádio que era mais roqueiro e que hoje pertence ao passado.

Ouvindo algumas dessas músicas antes da mixagem, ou só com voz e violão, já dava para perceber uma baita força, daquelas que você imagina “pô, se colocassem uma guitarrinha aqui, uma bateria ali, isso ia ficar legal e muito pesado”. Pois é: nesse ep (produzido pelo Vini e Anderson Foca, mixado e masterizado pelo gaúcho Iuri Freiberg) – podemos ter a certeza que, se uma música se sustenta apenas com voz e violão, ela pode render ainda mais e mais - todas elas acabaram ganhando aquelas guitarras que, antes, eram apenas imaginárias, e um bom peso na gravação, como se elas estivessem só esperando por aquilo para deixar feliz o ouvinte mais roqueiro e ao mesmo tempo dar a entender que vem uma boa novidade por aí. É rock, mas para satisfazer a um público que anda cada vez mais ligado em MPB e menos ligado em rock nacional, tem até uma batidinha suingada em “Viver”, uma das melhores do novo trabalho.

O resultado é que a VInDA tem tudo para ser um dos grandes nomes do fim da nossa década - ou da década seguinte do rock nacional, como preferir. E isso já vem desde a época em que o Vini percorria o Nordeste com suas ex-bandas, ganhava fãs, inúmeros amigos e ajudava a botar para a frente uma cena bastante interessante, que muita gente no Rio e em São Paulo não conhece.”

PARA OUVIR O VINDA: www.myspace.com/bandavinda

Fonte: Press Release

A noite de sábado, 23 de agosto, trará toda a diversidade das vertentes do rock em programação especial da Festa Mojo, no Music Box (Fortaleza). O Garfo é a banda da vez. Um line up de DJs locais e nacionais completa a variedade: Dado e DenisDead (CE), Carol Morena (PB) e Fabrício Nobre (GO). A festa acontece logo após o encerramento da Feira da Música

Das tendências mais atuais e consagradas do rock à pura diversidade: é nesse tom que a Festa Mojo traz uma programação especial ao Music Box, em Fortaleza, na noite de sábado, 23 de agosto. O Garfo, trio instrumental de pegada dançante, apresenta o show que já percorre o circuito independente há 1 ano. Seguindo a porção inovadora da ocasião, um line up especial de DJs: Dado e Denis Dead, do projeto Noise 3D, residente da casa; Carol Morena, da Festa Clash, o mais novo espaço das tendências do rock em João Pessoa (PB); e Fabrício Nobre, da gravadora Monstro Discos, de Goiânia (GO) – a maior da música independente no Brasil.

A festa começa às 23h, logo após o encerramento da Feira da Música 2008. O principal palco da Feira, concentrando boa parte de suas atrações principais, ficará no Poço da Draga, vizinho ao Centro Dragão do Mar, local onde se encontra o Music Box. A ocasião marca o lançamento da grife de moda alternativa Mojo (www.mojo.art.br), desde já afinada às expressões culturais e às tendências do público alternativo.

A produção é do projeto Noise 3D, com apoio do Agna Estúdio.

Confira, um a um, breve perfil das atrações da Mojo:

Carol Morena (PB) – DJ e produtora da Festa Clash, de João Pessoa (PB). A festa segue a linha “rock é pra dançar” e apresenta as tendências mais dançantes do estilo na Ksa Rock, em pleno Centro da capital paraibana

Dado e DenisDead (CE) – DJs do projeto Noise 3D, residente aos sábados no Music Box. Em 2008, a “marca” Noise 3D completou 5 anos ativos na música indie local e nacional, com currículo de festas memoráveis, incluindo a programação do extinto Noise 3D Club

Fabrício Nobre (GO) – Vocalista do MQN, banda goiana de stoner rock, e sócio da Monstro Discos, a maior gravadora da música independente no Brasil. Quem conhece o MQN sabe que pode vir por aí uma discotecagem alinhada às vertentes mais clássicas do rock

O Garfo (CE) – Trio instrumental de pegada dançante que há 1 ano percorre o circuito independente. O Garfo se prepara para lançar A Cria de Frank Einstein, EP hoje em etapa de finalização. Em julho, passaram pelo Forcaos e agora estão confirmados para o III Festival Se Rasgum, em Belém (PA)

Serviço
Festa Mojo – Sábado, 23 de Agosto, às 23h, no Music Box (Rua José Avelino, 387, Centro Dragão do Mar – Praia de Iracema), com show da banda O Garfo e discotecagem dos DJ´s Carol Morena, Dado, DenisDead e Fabrício Nobre. Entrada: R$ 10,00 (com direito a R$ 5,00 de consumação até meia noite). É proibida a entrada de menores de 18 anos. Informações: (85) 3219.3699 – www.mojo.art.br

SEXTA, DIA 29 DE AGOSTO, 22H
LANÇAMENTO DO CD DOS BONNIES
CENTRO CULTURAL DOSOL, RIBEIRA

E ainda Los Costeletas Flamejantes
Discotecagem Anos 50/60 com André Costeleta e Augusto Costeleta.
Ingressos: r$3,00

Fonte: www.reciferock.com.br

O terceiro (e último dia) do Mada foi tomado pela expectativa criada em torno da apresentação de Mallu Magalhães. A principal pergunta que pairava entre os jornalistas era: será que vai dar gente? Qual será o grau de apelo dela com o público. Respostas: deu muita gente, mais até do que nos shows de Lobão e do Pato Fu. E a menina é mesmo um fenômeno.

Mallu Magalhães é uma criança prodígio. Como todos os precoces, parece viver em um mundo paralelo, particular. Às vezes dá a impressão de que sua idade mental beira os nove anos. E é isso que acaba desarmando todo mundo. Depois do show dela, resolvi cumprimentá-la. “Oi, Malu!” Ganhei um abraço forte no pescoço, desses que as crianças dão em sua mais pura inocência. “Gostei do seu show”. Novo abraço, agora acompanhado de um sorriso de orelha a orelha e de um “brigada” que parecia sair de uma menina de menos de nove anos até. “Você vai tocar no Recife dia 29 de setembro, né?”. “É”, ela responde. E depois começa a protestar. “Mas 29 de setembro é meu aniversário!”. O produtor dela me corrige e diz que as datas são 19 e 20 de setembro”. E ela começa a entregar o jogo, falando e pulando feito criança que ganhou uma bicicleta: “eu e o Marcelo Camelo já estamos ensaiando algumas coisas. Está ficando bem legal”. Pois é…Além do show dela, Mallu Magalhães vai dar uma canja com Marcelo Camelo. Pelo que vi da apresntação dela em Natal, tudo indica que o show dela no Teatro da UFPE vai ser arrasador. Quer saber? Quero que minha filha (se tiver uma um dia) seja igual a Mallu Magalhães.

Voltando um pouco no tempo: a grande surpresa da noite acabou sendo a banda de abertura, a ótima Rosa de Pedra, de Natal. Com predominância feminina (uma rabequeira muito boa e um cantora idem), alfaia e som de raiz misturado com guitarras, tinha tudo para dar errado, para ser mais um clone mal feito de Chico Science e do Mestre Ambrósio. Mas não é. A banda mergulha ainda mais fundo nas tradições caboclas, e tem até a manha de chamar ao palco três dançarinas de música regional que despejam catimbó por todos os poros. Catimbó de verdade, desses que só encontramos nos terrenos de canbomblé. Verdadeiro trabalho de pesquisa antropológica. Foi bonito de ver, e muito bem recebido pelo público presente. Merecido.

Deu pena dos paraibanos do Sem Horas, que tocaram na seqüência. Mostrando uma empolgação digna de quem está em cima de um palco, a banda teve diversos problemas técnicos. Na música de abertura o microfone do vocalista pifou, o que foi suficiente para deixar a banda nervosa e desestabilizada. Uma pena, pois trata-se daqueles grupos de rockabilly ingênuo que em condições normais teria tudo para fazer um belo show. Não às toa, só relaxaram no final da apresentação, com a ótima versão para “Papai me Empresta o Carro”, de Rita Lee.

Depois foi a vez da carioca Macanjo imitar o Los Hermanos até não mais poder. Naipe de metais igual, vocal igual, temáticas iguais…uma das músicas chama-se simplesmente “Arlequim”. Precisa dizer mais? O Rio de Janeiro, definitivamente, é hoje o túmulo do rock.

Aí veio mais uma banda na linha “bonitinha mas ordinária”. Era a Falcatrua, das Minas Gerais. Sei que é um trocadilho fácil, mas o nome da banda é diretamente proporcional à música que produzem. Começa parecido com Kid Abelha, depois lembra Titãs, e quando acham que não podem se parecer com mais ninguém, tocam covers de Tim Maia. Ok, são bons músicos, o som do palco estava ótimo, o show foi profissionao. E daí? E a criatividade? Vergonhoso…

E veio o fenômeno Mallu Magalhães. E ninguém mais tirou os olhos do palco. E a menina só tem 15 anos! E é de uma espontaneidade absolutamente desconcertante, o que talvez explique boa parte de seu sucesso em tempos de tamanho cinismo e de artistas completamente pré-fabricados e embalados para o consumo. Ali está uma garota de 15 anos que nitidamente toca sem a menor direção musical ou de palco. E é aí que reside todo o seu apelo. Além de um talento monstruoso. Tanto que a banda que a acompanha mais atrapalha do que ajuda. Ela entra em cena, fala ao microfone e nada de sua voz sair. Quando sai (a voz), diz que vai começar tudo de novo. Volta ao backstage, entra de novo em cena, dá boa noite e apresenta a banda. Depois disso foram cerca de 45 minutos de folk de alta qualidade. A menina é simplesmente sensacional, possui uma voz maravilhosa e é de fato talentosíssima. Desarma qualquer um. Espero sinceramente que ela não seja estragada pelo showbizz. E, no fim das contas, é muito bom saber que a nova referência da gurizada é uma guria que tem como referências Bob Dylan e Johnny Cash. Boa sorte, Mallu!

Depois foi a vez do Cordel do Fogo Encantado. E com ele veio um temporal tão grande, mas tão grande, que não deu para ver mais nada. Nem o show do próprio Cordel (que tem um público bem relevante em Natal), nem o americano Josh Rouge (uma pena) e muito menos Seu Jorge (obrigado, chuva!). Juro que queria ter visto o Montage encerrar a noite, mas era impossível. Só deu para entrevistar Lirinha e Gutie (novo empresário de João do Morro) e tentar sobreviver ao toró que caía na capital potiguar. Às vezes Lirinha irrita…

No mais, a impressão geral do Mada não foi das melhores: é tanta banda ruim se apresentando que qualquer show mais redondinho acaba tomando ares de sobrenatural. Ou seja, a verdade é que muita gente não merecia tocar naqueles palcos. Talvez a solução fosse uma curadoria, porque o critério de seleção das bandas revela uma amadorismo incrível. Tomara que melhore em 2009…

Fonte: www.reciferock.com.br

Algumas coisas são bem chatas de dizer. Ao contrário do que julga o senso comum, não temos nenhum prazer específico em falar mal das coisas. Ao contrário, sempre torço para que tudo dê certo em todos os eventos. Considero-me uma boa pessoa, e quem me conhece de verdade sabe que não sou tão mau quanto meus escritos fazem parecer. Mas a verdade existe para se dita: salvo raras exceções, foi duro suportar o segundo dia do Mada.

Desabafo feito, desculpas previamente pedidas, e vamos ao trabalho sujo, pois ele precisa ser feito.

A abertura da noite coube a pior banda do evento, a tal da The Volta (RN) (sacou o trocadilho?). Um pessoal que, infelizmente, não tem senso de ridículo e não imagina como seu som regado ao que de pior existiu nos anos 80 somado com guitarras pretensamente pesadas soa falso, plastificado, brega e ingênuo (no pior sentido da palavra). O lirismo é ainda pior. Imagine alguém cantando a sério, tipo Dinho Ouro Preto, os seguintes versos: “eu não vou envelhecer sem ver isso mudar / esse mundo de papel e tudo que nele há”. E a coisa ainda piora: “cansei de ouvir desculpas de todos que querem falar / Cansei, não dá / Todos depois vão querer se explicar”. Aí você pensa que não pode vir nada pior do que isso. Mas o mundo é perverso, e a ordem natural das coisas é que tudo piore. Eles fecham o show com um cover horroroso (e novamente levado a sério, com frases do tipo “tira o pé do chão”) de “Enter Sandman”, do Metallica. Vergonha alheia. E acabei perdendo o melhor do show. Abriram com uma queima de fogos, que quase incendiou uma das caixas de som…

Na seqüência veio o confuso show do local Lunares, que tenta ser um êmulo de Muse, Radiohead e até Arcade Fire, e acaba, infelizmente, soando apenas como Lunares mesmo. Com um vocalista talentoso que possui uma voz incrível, o grupo mostrou que ainda está muito, mas muito aquém de suas referências. Pretensioso e muito, mas muito chato mesmo. E foi constrangedor ver o vocalista dançar valsa de olhos fechados com a sua guitarra. Quando achei que fosse o único a achar aquilo o cúmulo do ridículo, percebo um monte de gente virando de costas para desatar no riso. Seria até bonitinho se fosse a Mallu Magalhães na inocência de seus quinze anos…

O nível subiu bastante com a apresentação dos baianos do Subaquáticos, donos de um som encorpado, que mistura blues moderno com pegada roqueira e um quê de surf music com referências nordestinas. E, o mais incrível, não se perdem no meio de caminhos tão disparatados. Tudo soa coeso, extremamente bem executado (o baterista é monstruosamente bom) e gratificante de se ouvir.

Depois entrou a banda mais estranha de todo o festival. O gaúcho Poliéster é tão esquisito, mas tão esquisito, que nem o palco suportou. Deu pane na terceira música, e o palco ficou sem som e luz. O vocalista tem voz de mulher, a banda força tanto a barra para soar original que acaba confundindo originalidade com hermetismo de boteco. O som? Sei lá o que era aquilo, e duvido que alguém consiga explicar. Era tão ruim que preferi conferir a performance de Madame Mim na tenda eletrônica. Dei sorte, pois além de animada, a moça estava incrivelmente bonita (de verdade!) e até se dignou a mostrar a bunda para o público. Mas a realidade fez-se presente novamente…

A potiguar Síntese Modular, banda com apenas um mês de existência (apesar de formada por músicos experientes da cena local) mostrou que tem…apenas um mês de existência… além de um pop bem fraco, mal executado e que bebe em fontes sessentistas, dando a nítida sensação de não passar de um Volver de terceira divisão.

E o aguardado (pelo menos pela crítica) Curumin quase deixa de tocar no Mada. O palco, que já havia se manifestado no show do Poliéster, voltou a dar problemas na apresentação de Curumin, que demorou uma infinidade para começar. O show teve de ser encurtado, o que foi uma pena, pois o paulista brinca de fazer samba cafajeste, na linha “pilantragem” de Simonal, soando como um Mundo Livre melhorado ao vivo. Debochado, tocou “Feira de Acari”, de Mc Batatinha, e saiu mais cedo do que o previsto, dando vez àquele que foi, de longe, o melhor show desta edição do Mada: Autoramas

Com uma introdução instrumental matadora, a banda colocou boa parte das quase três mil pessoas presentes para dançar. Os riffs de Gabriel são os mais impressionantes e contagiantes do rock nacional hoje. E tome “Paciência”, “Você Sabe”, “Nada a Ver”, “Já Cansei de te Ouvir Falar” e a sensacional “Surtei” no coco. Acachapante. Assim como o carimbó roqueiro de “Hotel Cervantes” e o hino analógico “Mundo Moderno”. Até um jornalista amigo meu, que está muito, mas muito longe mesmo de ser fã da banda, deixou escapar no final: “Showzão!”. Como sempre…

O Pato Fu foi tecnicamente impecável, mas recebido com uma certa frieza pelo público. Nem chegou perto da apoteose que foi o show deles no último Rec-Beat. Mas a culpa, definitivamente, não foi da banda, que toca a cada dia com mais empenho e vigor. Sem falar que John é um senhor guitarrista e Fernanda Takai…bem, é Fernanda Takai, e isto basta.

A introdução do tema de Chapeuzinho Vermelho serviu para a entrada de Lobão, que surpreendeu e veio com formação elétrica desta vez. Com a mão direita enfaixada devido a uma grave queimadura (num estranho acidente em que tentou acender a lareira de casa e, além de se queimar, quase queima também o gato de estimação), Lobão entrou alucinado e atacou com “Universo Paralelo” e o clássico “Ronaldo foi Pra Guerra”. Boa parte do público – eu inclusive – acabou indo embora antes do show terminar. Saldo da noite: apenas um show de encher os olhos. Muito pouco para um festival…

Hugo Morais, texto

Débora Ramos, fotos 3, 4 e 5

A grosso modo cabe dizer que a primeira noite de festival não teve um show ruim do ponto de vista técnico. Não houve problemas com as bandas e elas executaram seus sets com segurança e presença. Mas quando partimos para o campo do gosto, da relevância e outros aspectos a coisa muda de figura.

A banda que abriu o festival foi a potiguar POETAS ELÉTRICOS. O público tímido pôde apreciar as poesias e trocadilhos de Caritó: “Vou fazer uma Mandala, para mandá-la…”; “seus olhos são jabuticabas que nunca acabam…”. A banda cairia muito bem numa vernissage. Ainda conta com Michelle Régis nos vocais e o guitarrista Edu Gomez. O público não se abalou, aliás esteve frio até O Rappa.

AMPS & LINA vieram de Recife após ganhar a seletiva Radar Indie. Se na seletiva o som estava embolado a ponto de não se entender o vocal e de alguns instrumentos passarem batidos, dessa vez foi diferente. Fizeram um show bom que mistura rock com elementos eletrônicos e até um violino. Bom para o público e as bandas de Natal verem, já que aqui não há muita experimentação. Mesmo com esse som diferente, o grupo pareceu ser apenas mais uma que ia tocar antes da atração principal.

NV ganhou a seletiva Laboratório Pop no Rio de Janeiro, o que dava direito a vir ao festival. Mesmo com uma rápida chuva, a banda fez um show legal, com boa presença do vocalista e com direito a gente pulando e achando tudo ótimo. O problema é que o som é uma cruza de Rappa com Detonautas, um genérico. Ou seja, agrada em cheio aos fãs das duas bandas e ao público telespectador de Malhação.


SWEET FANNY ADAMS também é de Recife e fez o show mais “diferente” da noite. Nas influências ficam nítidos Gang of Four e Talking Heads, por exemplo. As músicas têm boa pegada e levam a dançar. Mais uma pernambucana que enterra as raízes e mostra que a fase em Recife aponta para fora. No fim “Hate Song” animou alguns presentes.

A única banda de reggae foi a potiguar RASTAFEELING. O público já era grande e os portões da Babilônia se abriram. A banda fez um show muito bom em cima do repertório de dois discos lançados e um por vir.  Destaque para o vocalista Bino Negão, que segura muito bem a onda rasta com músicas que estavam na boca de muitos da platéia. Ganja no ar para aromatizar.

O BRAND NEW HATE tinha a tarefa de tocar antes de Motosierra e Rappa.  Não fez feio, ao contrário, fez um show muito bom. O vocal Samuka encarna bem o personagem rocker e instiga o público. Apesar da platéia ser grande, pouca reação. Influências de Ramones, New York Dolls e até Motosierra, levam a banda a fazer um rock rápido que passeia entre o punk, o hardcore e o stoner. Se o show tivesse sido mais curto teria sido mais instigante.


O MOTOSIERRA veio do Uruguai para fazer o melhor show da noite.  Marcos, vocal, é o frontman. O cara se pendurou no guitarrista e puxou seus cabelos, xingou e cuspiu o público, simulou sexo com as caixas e com estante do microfone. E até enfiou o microfone na bunda e o lambeu. Sobrou até para uma cinegrafista que foi “atacada” e gentilmente apalpada. A mistura de metal, punk e hardcore alegrou quem gosta e agrediu quem não gosta. Era possível até ouvir entre uma música e outras um “vai embora uruguaio filho-da-puta”. O público que aguardava ansiosamente o Rappa, claro. Ouso dizer que nunca mais o MADA receberá um show como o do Motosierra, com um excelente vocalista e uma banda idem. Tocando alto e pesado ao extremo.

O RAPPA foi antecedido por fogos de artifício e fez aquele show de sempre. Hits e o público cantando e pulando junto.

Quando a produção decidiu mudar a data da edição de 10 anos do MADA de maio para agosto foi com o objetivo de evitar as chuvas. Em Natal, o período de chuvas dura normalmente de maio a julho. A produção só não contava com um ano atípico na cidade. São Pedro não poupou água. Começou tímido com um chuvisco no início do show de Cordel do Fogo Encantado para culminar num toró que durou o resto da madrugada. Uma pena para Josh Rouse e Seu Jorge, que fizeram bons shows para quase ninguém.

A primeira banda a se apresentar no último dia foi a potiguar Rosa de Pedra, que contou com reforço do grupo de dança Cia Xamânica. Eles tocaram às 21h, enquanto  eu estava na parada de ônibus, a mais de uma hora, esperando o bendito 56. Não vi, mas pelo que disseram, não perdi muito.

Me parece que o que eu realmente perdi foi o som dos paraibanos do Sem Horas. Um rockability muito bem executado. Tudo culpa do maldito sistema de transporte público de Natal, que não permite o cidadão a deixar o carro em casa para se divertir a noite com segurança e eficiência. Tristeza.

Enfim, cheguei assim que os cariocas do Macanjo subiram no palco. Não gostei da banda. O show foi animado, o público se divertiu. O som é bem executado, mas as músicas são ruins, parecem trilha da novela Malhação e coisas do tipo. É aquele maldito pop óbvio. Sinceramente, as bandas independentes das edições anteriores do MADA eram melhores.

Depois de Macanjo, os animados mineiros do Falcatrua subiram no palco. Confesso que gostei do som deles. Ainda ficou muito longe do nível das apresentações das bandas independentes do ano passado. Fizeram alguns covers, animaram o público que os assistiram. Vale ressaltar: bem maior do que a platéia da quinta e da sexta-feira. Destaque para o vocalista da banda numa empolgação tocante.

A Mallu Magalhães entrou no palco um tanto tímida, com aquele jeito de criança, mas fez um show muito bom. O primeiro, realmente empolgante, na noite. Já é clichê falar que a menina esbaja talento ou é um hype. Isso todo mundo sabe. Gostei de vê-la no palco, um acerto da produção, que poderia ter sido maior se, logo depois dela, Josh Rouse tocasse.

Quando ela saiu do palco, o céu ameaçava fechar. Cordel do Fogo Encantado entrou abençoado por uma chuvinha tímida que refrescava a sensação de calor presente na platéia. A cenografia do palco e a iluminação estavam perfeitas. E isso vale um parêntese, um dos grandes acertos do MADA neste ano foi essa preocupação cenográfica, primeira vez que acontece na cidade. O show de Cordel foi aquilo que todo mundo esperava. Um espetáculo. Na minha opinião, o melhor show do festival. Com direito a um público encharcado implorando por mais uma música.

Cordel saiu no meio de uma tempestade. A essa altura já chovia e ventava muito. Josh Rouse, um dos shows que mais queria ver, tentou emplacar com o seu folk pitadas de referências latinas. Mas o toró atrapalhou tudo. E, como não bastasse, o pobre do Josh ainda teve que tocar depois do espetáculo do Cordel. Função ingrata. A produção poderia muito bem deixá-lo para tocar depois da Mallu e fechar com Cordel e Seu Jorge. Até por uma lógica de sonoridade e platéia. Infelizmente, só alguns gatos, literalmente pingados, ficaram para aproveitar o show de Josh. Muito bom, aliás.

Quando o pobre do Seu Jorge entrou, a maior parte do público ou já tinha debandado, ou estava na tenda curtindo o bate estaca. Mesmo assim o carioca conseguiu fazer uma boa apresentação, animou os corajosos que encararam o dilúvio. Tocou Jorge Ben Jor e alguns clássicos. Não posso falar muito porque, neste momento, eu estava encharcado, na tenda eletrônica, tentando me esquentar com o abafado e a quantidade de pessoas que havia lá e rezando para que a minha dor de cabeça e tosse constante não se transformasse em algo pior.

Para fechar, ainda rolou Montage (CE) para os corajosos. Atração surpresa, divulgada dias antes do Festival. A essa altura, eu estava num táxi a caminho do meu chuveiro elétrico e de roupas quentes, para depois dormir o domingo inteiro. Seria bem legal, se São Pedro não tivesse mandado tanta água.

O saldo final do MADA foi positivo. As headliners, sem dúvida, foram as melhores. Em compensação, as bandas independentes não foram lá muito boas. Ainda prefiro o formato antigo, com mais bandas e menos tempo para cada uma. O que salvou mesmo foi a estrutura do Festival. Tudo muito bem organizado, o som estava melhor, com reservas a um ou outro problema. Havia uma área coberta maior também, a tenda estava melhor organizada, assim como a feirinha. Além disso, o investimento em cenografia e iluminação dos shows foi um espetáculo a parte.

Uma pena que São Pedro ignorou a tentativa da produção de afastá-lo do festival e deus as caras no último dia.


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