Assista o show completo do Camarones Orquestra Guitarrística gravado no início do ano 100% ao vivo e sem retoques de estúdio, e que finaliza as ações de divulgação do álbum Espionagem Industrial, patrocinado pela Petrobras através da Lei Rouanet. Set List do show:
1- Alabama Mama
2- Pipa
3- Espionagem Industrial
4- Com A Água no Pescoço
5- Festa dos Gatos
6- Peggy Loucura
7- A Trama
8- Altas Aventuras
9- Pra Inglês Ver
10- Drunk Driver
11- Bronx
12- Rock de Roqueiro
Edição: Kaká Monteiro
Produção: Dosol Image
Áudio: Estúdio Dosol
Mixagem: Megafone
Finalização: Ana Morena Tavares
Câmeras: Gustavo Rocha e Jomar Dantas
Por Foca
Tenho visto nos últimos tempos inúmeras reclamações das mais variadas camadas da população no que diz respeito ao preço dos ingressos para shows praticados em Natal, mas que na verdade se estende por todo o Brasil. Quem mais reclama, são exatamente aqueles que um dia desses eram estudantes com direito adquirido por lei de pagar meia-entrada em shows e que agora não estão mais na escola nem nas universidades. São também a maioria dos que comentam e tem fluxo no twitter e no facebook. A geração “perto dos trinta”.
O que esse povo não percebe, ou nunca quis perceber porque antes era cômodo, é que a lei imoral e populista da meia-entrada nunca existiu de fato. Os estudantes desde sempre continuaram pagando o mesmo preço que pagariam se a lei não tivesse em vigor. O que existe de fato é a lei de que não estudantes PAGAM EM DOBRO. E lógico, nessa brincadeira quem “paga o pato” é a classe artística e quem perde é a cultura.
A primeira coisa a se analisar é: o que dá ao governo o direito de taxar dessa forma atividades particulares como um show privado? Em qualquer área, quando o governo quer investir ou dar alguma contra partida social usando atividades particulares, negocia com os empresários, dá algum tipo de isenção fiscal, abre financiamentos com juros baixos entre outras ações. E para atividades culturais particulares ele dá o que? Sem querer ser grosseiro, vocês já devem imaginar o que o governo realmente dá. O ISS morde um pedaço da bilheteria, o imoral ECAD atividade DEFENDIDA pelo próprio MINC atual morde um outro pedaço e não repassa nada aos verdadeiros donos desse “pseudo” dinheiro e por aí vai. Para ser gentil: o governo dá as costas para o problema.
Se o governo quer fazer graça ou média com shows particulares por que não compra parte da bilheteria e dá de graça o ingresso para população? É caro né? E por que os produtores de show particulares tem que pagar essa conta? A verdade é que uma roda inteira que movimenta a cultura e o entretenimento está sendo muito prejudicada e ninguém faz nada para mudar esse quadro. A experiência dos shows, em vez de ser democratizada tem sido cada vez mais protagonizada pela classe média alta que pode pagar entradas DOBRADAS. Fato!
Imagine você produzir um show caro, com custos fixos altíssimos sem saber ao certo quantas pessoas vão pagar inteira ou meia-entrada? Para se defender das incertezas, até porque quem faz shows grandes e caros não está fazendo caridade (trata-se de um negócio como outro qualquer) a grande maioria dos produtores simplesmente faz as contas como se todo mundo pagasse meia. Sem pudor e sem pena. Lógico, existem produtores picaretas atrás de margens de lucros astronômicas para se aproveitar do fã de música, assim como existem aqueles que falsificam carteiras de estudante para burlar a lei e pagar menos. Há verdades e mentiras de ambos os lados.
Uma última constatação. Os maiores interessados nesta lei nefasta, os movimentos estudantis, parecem ter esquecido o viés cultural que essas entidades tinham no final dos anos 60, 70 e começo dos anos 80. As Unes e DCEs eram sem sombra de dúvida os maiores aliados da cultura brasileira. Promoviam shows, tinham selos músicas, editoras de livros, imprimiam fanzines, pequenos informativos e serviam de reflexo e nascedouro de diversos movimentos musicais e culturais em geral. Hoje o que vejo por ai são DCEs e Grêmios estudantis promovendo shows (quando promovem) de baixíssima qualidade apenas para fazer caixa próprio sem a menor conexão com a real cultura das cidades. Alguns ainda escapam, mas a maioria vive esse quadro, pelo menos aqui em Natal.
Acordem, vocês também vão chegar na “geração dos trinta-que paga-as-próprias-contas” e haverá outros FACEBOOKS para reclamar do preço dos ingressos no futuro.

Foto: Incrível show do Antibalas no APR 2012 (Rafael Passos)
Paul McCartney e Abril Pro Rock: final de semana épico em Recife
por Foca
Claro que o carnaval já acabou, passamos até da semana santa, mas para os amantes de rock e boa música o Carnaval pernambucano foi mesmo neste último final de semana. O que dizer da enorme concentração de shows que tomou conta do Recife no último final semana? Além da enorme programação do Abril Pro Rock, os pernambucanos e vizinhos de Nordeste ainda tinham como opção quatro dias de show da nova tour do Chico Buarque e dois dias de show da lenda viva Paul McCartney.
Passei batido nas datas do Chico Buarque, não é interessante o bastante para mim. Toquei na sexta e perdi o primeiro dia do Abril Pro Rock, que contou com vários shows mas que valeu mesmo pela épica apresentação dos Los Hermanos levando mais de 15.000 fãs ao enorme Chevrollet Hall.
Cedo do sábado parti junto com a enorme caravana potiguar que invadiu Recife capitaneada pela turma da Pedrassoli Turismo rumo ao gigante do Arruda. Viagem descontraída, DVDs de Paul em loop para esquentar e chegamos ao Recife sem muita agonia. Depois de um rápido almoço e de uma chegada surpeendentemente fácil ao estádio fomos para fila do show, que além de fazer parte do ritual de aquecimento de um grande espetáculo serve também para ver o desfile da humanidade, amplificado por 10 já que estávamos na tal área premiun (ver um show como esse mais de longe é inconcebível para mim).
Encontramos o jornalista potiguar Sérgio Vilar sozinho na fila e ficamos com trocando ideia até a hora de entrar. Com previsão de abertura dos portões às 17h30, só depois das 18h30 foi possível entrar no estádio. Revista bem safada e pronto. Estávamos dentro do show. O estádio do Arruda por fora é tétrico, sujo e mal cuidado. Por dentro é imponente e muito legal. Show com montagem e produção gringa não tem muito erro, certeza de uma luz incrível, telão perfeito e som bom (para as condições de uma sonorização para estádio). Ficamos por ali, encontramos vários amigos da música pernambucana e assistimos o show ao lado do amigo e jornalista potiguar Isaque Ribeiro, que estava cobrindo o rolê para a Tribuna do Norte.
Perto do palco, devidamente alimentado e bebido, era hora do show. Você não acredita no que vai ver e quando começa é surreal. Paul está ali na sua frente, cantando como um menino (muito melhor do que 95% dessa nova geração do rock) e tentando diálogos simpáticos com a plateia. Magia pura. Falar que foi épico, histórico e que foi o maior show de música que o Nordeste já recebeu é “chover no molhado”. Isso todo mundo já sabe. Eu fiquei atônito, não conseguia nem comentar o que eu estava vendo com Ana Morena ou Isaque. Até agora não caiu a ficha.
Li várias resenhas sobre a apresentação e as tão faladas críticas sobre o show feitas pelo Rodrigo Levino e pelo Terron (acusados até de xenofobia por conta de críticas ao comportamento de parte do público em relação ao artista). Quero dizer que quem estava na partes com ingressos mais baratos do estádio PIROU NO QUE VIU. E 70% da área vip era composta por fãs e famílias inteiras que souberam apreciar tudo o que o show ofereceu. Mas os 30% de “baladeiros” que invadiram a pista vip “para ver e ser visto”, quase atrapalharam quem queria ver e ouvir o espetáculo. Fiquei incomodado com a falta de respeito desse povo “micareta/vaquejada/boate” e os dois jornalistas devem ter ficado também. Nem tudo e perfeito. Nota 9 para o show, nota 10 para o velho Paul!
Nem bem descansei e já estava logo cedo no Abril Pro Rock. Tinha compromisso com a equipe de documentaristas do evento que estava completando 20 anos. Cheguei antes da programação começar, dei a entrevista e fiquei por ali vendo tudo. Não gosto do Chevrolet Hall, mas para fugir da chuva e ter estrutura física para receber qualquer show, o Abril Pro Rock sempre optou pelo espaço nos últimos anos. Com 15.000 pessoas no primeiro dia e 7.000 no segundo, a tendência era que o terceiro fosse sentir o impacto da vasta programação cultural oferecida no Recife por todo o fim de semana. Um pouco menos de 3.000 pessoas prestigiaram a programação aberta com o show morno e lento da banda Dessinée. Na sequência o excelente Strobo fez um dos melhores shows da noite, ainda para pouca audiência, seguidos da incrível apresentação da big band de rocksteady pernambucana Ska Maria Pastora.
Não curti ao vivo o Léo Cavalcanti, em disco achei interessante. O público também não deu muita trela pro artista. A primeira comoção do dia veio mesmo com os gringos indies do Nada Surf. Foi lindo e para quem é fã deve ter sido um baita presente. Muita gente estava ali só para vê-los, o que causou até uma debandada pós show. Aproveitei que já vi o Mundo Livre mil vezes e fui conversar e dar uma volta pelo festival.
Alimentado e descansado fui massacrado pelo show da big band do brooklin Antibalas. Meu amigo, que show! Um dos melhores que vi esse ano. A minha vontade de montar uma big band só cresce, um dia realizo o sonho. Otto veio na sequência, curto em disco mas odeio o show. Dei mais uma chance e não me arrependi, achei o artista menos “performático” e mais focado em cantar bem (difícil para ele) suas boas canções. Me ganhou mas continua sendo um show bem aquém do que poderia ser. O quinteto Buraka Som Sistema de Portugual encerrou a noitada do abril com um enfadonho mix de mcs de funk/kuduru com bateria acústica e loop. Funcionou muito bem para quem tava na vibe de dançar e “se passar” no final da noitada, eu que tava procurando canções, guitarra e performances mais “musicais” terminei não sendo tão atingido pelo som da turma. Numa rave alternativa, daquelas que misturam doidões e gente que curte música eletrônica deve ser uma loucura ver os Burakas em ação. Valeu pela curiosidade.
Antibalas, Brujeria, Exodus, Nada Surf e Paul McCartney no mesmo final de semana e pertinho de casa foi um presente para os fãs nordestinos. Vida longa ao Abril Pro Rock e um salve pros corajosos produtores do show do P.M. Vocês estão de parabéns!
O trio potiguar Rock Rovers acaba de lançar seu novo trabalho que você baixar agora aqui no Portal Dosol. O disco se chama Alcoólatras Assíduos e foi gravado no Estúdio Dosol e mixado no Megafone Estúdio. Confira!
Rock Rovers - Alcoólatras Assíduos (208)







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