Festa de dez anos de gravadora prova como vale à pena convencer os mais velhos que o rock pode dar certo. Principalmente se este mais velho for o dono dessa empresa.
Meus amigos, tristeza não tem fim; felicidade, sim. Começo uma coluna de rock citando uma célebre frase bossa-novística porque é exatamente essa frase que me surge dentro da cabeça, ao lembrar que a coisa já foi boa e tem tudo para ser melhor. Explico. Anteontem, ou melhor, na madrugada de quarta para quinta, no Circo Voador, tive uma noite daquelas. Eram três e tantas da manhã e um considerável número de pessoas vibrava efusivamente com três senhores de meia idade tocando punk rock pra valer. Eram eles Pierre, Val e Redson. Sim, meus amigos, a formação clássica do Cólera mandando ver todos os seus hits para uma platéia de todas as idades. Isso, repito, às três da matina.
Lembrava eu, lá pelas tantas, que este mesmo Cólera, lá nos anos 80, lotava o Circo Voador, em geral junto com a parceira Plebe Rude, em noites memoráveis. Digo isso em tom de lamentação porque essa dobradinha Cólera + Plebe Rude e Circo Voador já não existe mais. Primeiro porque o Circo já há temos deixa de abrir espaço para bandas novas e para o próprio público de rock, ao cobrar preços incompatíveis com esse mercado. Depois, porque – e até por conseqüência disso, não existem bandas legais que encham minimamente a cara (caríssima) estrutura do Circo Voador versão anos 00. Então ver aquela euforia numa madrugada de quarta para quinta, no Circo, parecia mesmo um sonho. (more…)


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